Abstract
Este trabalho objetivou analisar as ações de Economia Solidária como via de inclusão social de usuários de álcool e outras drogas. Para isso, foram estudadas duas experiências inscritas na Rede Brasileira de Saúde Mental e Economia Solidária, rede esta organizada pelo Ministério de Trabalho e Emprego. Tal discussão se insere em um projeto mais amplo, apoiado pelo CNPQ, cuja proposta é problematizar a relação entre o trabalho e o uso do álcool/drogas, resgatando formas alternativas de organização que propiciem inclusão social desse público em particular. Na fundamentação teórica, primeiramente apresenta-se uma visão sobre o que é a parte álcool/drogas dentro do todo Saúde Mental, principalmente quanto às suas especificidades e a relação com o trabalho. Em seguida, contextualiza-se o cenário na qual se desenvolvem as iniciativas de Economia Solidária na Saúde Mental, abordando tanto as principais ressonâncias do movimento da Reforma Psiquiátrica (COSTA-ROSA, 2006), quanto as características e fundamentos deste movimento (SINGER, 2000; FRANÇA FILHO e LAVILLE, 2004). Elencaram-se para estudo as iniciativas de Economia Solidária inseridas no “Cadastro de Iniciativas da Saúde Mental de Inclusão pelo Trabalho” localizadas na região metropolitana de Belo Horizonte e na cidade de São Paulo. Dentre as iniciativas cadastradas, apenas duas organizações afirmaram atender a esta demanda específica. Realizou-se então uma investigação exploratória que se deu, em Minas Gerais, neste único Centro de Convivência da Saúde Mental e, posteriormente, no serviço CAPSad a ele relacionado; e também em São Paulo em um Centro de Convivência. Nesta pesquisa exploratória nas duas instituições (e órgãos correlatos), percebeu-se que nenhuma das duas experiências, embora cadastradas como iniciativas no âmbito da Economia Solidária, vivencia no momento a proposta de inclusão social por esta via. Nesse contexto, o esforço da pesquisa voltou-se para a compreensão das razões dessa realidade. Identificou-se uma grande lacuna no que tange ao atendimento a esse público, que por vezes não encontra espaços de atenção voltados especificamente para eles. Tendo em vista essa lacuna, essas organizações acabam por atuar em fases anteriores do tratamento, como a do próprio acolhimento, e não exclusivamente como elo final da cadeia (via de inclusão social), ou então, como no caso mineiro, nem sequer se consideram preparados para tal. Diante disso, partiu-se para uma reflexão acerca das possibilidades e limitações da Economia Solidária em relação à inclusão social desses usuários. Em função da congruência entre os objetivos do movimento e as problemáticas atinentes ao público em questão, discute-se que tal proposta pode, de fato, revelar-se uma via possível. Por outro lado, chamou-se a atenção para as dificuldades que emergem principalmente no que tange aos dependes de psicoativos, como a questão do dinheiro, dos ganhos secundários, do desinteresse pelas atividades, dentre outros. Nesse sentido, o artigo reforça a complexidade do fenômeno em questão, que implica, necessariamente, na adoção de ações integrais, que façam parte de uma política mais ampla de atenção a esses indivíduos.
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Barreto, R. D. O., Lopes, F. T., & Paula, A. P. P. de. (2013). A economia solidária na inclusão social de usuários de álcool e outras drogas: reflexões a partir da análise de experiências em Minas Gerais e São Paulo. Cadernos de Psicologia Social Do Trabalho, 16(1), 41. https://doi.org/10.11606/issn.1981-0490.v16i1p41-56
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