Abstract
O insucesso escolar assume formas bastante variadas sendo as situações mais comuns: maus resultados, reprovações, repetências e abandonos, que se transformam em atrasos e falhanços. Este contínuo de situações, que inclui desde situações pontuais de insucesso até à completa exclusão do sistema educativo, decorre de uma conjugação de agentes e fatores de natureza diversifica, que, para além de caraterísticas individuais, abrange também espaços intelectuais, sociais e económicos mais vastos como: a família, a escola, a comunidade e a nação, os quais, por sua vez, existem num determinado espaço temporal e conjuntura histórica. Os pesados custos, tanto sociais como económicos, é outra dimensão que é importante considerar quando se pensam nos efeitos a médio e a longo prazo do insucesso escolar, pois a escolarização continua a ser uma dos caminhos mais imediatos para preparar a participação no futuro das sociedades. Os baixos níveis de escolaridade associados ao insucesso escolar geram desigualdades sociais ao impedir o acesso ao mercado de trabalho mais qualificado e ao produzir iliteracia funcional, marginalização e infoexclusão. Estudos recentes mostram ainda que o insucesso escolar das populações pode aumentar os níveis de delinquência juvenil e diminuir os de coesão social (Field, Kuczera, & Pont, 2007). Neste quadro, tanto as caraterísticas pessoais, tais como: idade, personalidade, motivação, saúde, género, como os apoios que, quer a família quer a escola ou mesmo a comunidade, têm ao seu dispor são necessários para ultrapassar a situação de insucesso escolar que pode ter uma duração de breves semanas ou, pelo contrário, resultar num estigma que acompanha o indivíduo ao longo de toda a sua vida. Partindo-se de uma ideia inicial que explicava o insucesso escolar a partir das capacidades cognitivas inatas dos indivíduos, nos finais dos anos 60 e inícios dos anos 70 do século XX, a abordagem do insucesso escolar muda de um paradigma de défice cognitivo para um paradigma de défice cultural, pois os resultados das pesquisas evidenciavam, de forma sistemática, que a esmagadora maioria das crianças que abandonavam a escola, ou que engrossavam o conjunto das que estavam em situação de insucesso, habitavam zonas rurais ou de periferias
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v, P. P. D. (2009). Insucesso escolar. Revista Portuguesa de Clínica Geral, 25(6), 696–701. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v25i6.10696
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