Regiões do entorno dos projetos de extração e transformação mineral na Amazônia Oriental

  • Coelho M
  • Monteiro M
  • Lopes A
  • et al.
N/ACitations
Citations of this article
12Readers
Mendeley users who have this article in their library.

Abstract

Dois grupos de estratégias de modernização regional marcaram e marcam a história recente da Amazônia. Enquanto um deles consistiu nas tentativas de estabelecimento de pólos de crescimento econômico e de complexos industriais motrizes, o outro diz respeito aos esforços para estimular eixos estruturadores de desenvolvimento regional. Ambos se baseiam em postulados teóricos distintos. No primeiro grupo de estratégias, julga-se ser necessária a participação estatal para contra-arrestar dinâmicas produzidas pelo mercado, considerando-se que a modernização de certas regiões não ocorreria sem a ação do Estado. Já o segundo grupo integra estratégias de desenvolvimento regional baseadas no suposto da eficácia das dinâmicas de mercado. Mas em todos os casos trata-se de estratégias de modernização que privilegiam as vantagens comparativas e que, conseqüentemente, tendem a ser espacialmente seletivas e, portanto, concentradoras de mudanças sociais: nos primeiros casos, em torno de um pólo, de um complexo industrial motriz; no último, ao longo de um eixo. Tais estratégias atraem fluxos de capitais e fluxos migratórios intensos e produzem impactos no crescimento urbano e na reestruturação dos municípios amazônicos. No contexto tanto dos pólos de crescimento quanto dos eixos de integração, as infra-estruturas combinadas e as atividades econômicas estimuladas reestruturam áreas geográficas que vão além do espaço a elas restrito. Tal processo, todavia, escapava a análises acadêmicas apoiadas na aplicação do conceito de enclave, recorrente na literatura acadêmica relativa às avaliações dos impactos da implantação de empresas de extração e transformação mineral. As áreas externas aos municípios-sede de projetos infra-estruturais ou nas quais se implantaram empresas de extração e transformação mineral são inevitavelmente afetadas pelas mudanças físicas e socioespaciais por eles suscitadas, por corresponderem ao espaço de destino da migração, da mobilidade e da mobilização das populações por eles atraídas. Insistir então no conceito de enclave significaria continuar sem saber qual é a relevância de tais projetos em termos de mudanças nas formas produtivas preexistentes e nas relações político-sociais e espaciais até então vigentes. Não é, todavia, nosso interesse neste artigo delimitar o alcance espacial da influência exercida por esses projetos, mas reconhecer que eles redirecionam trajetórias históricas dos territórios preexistentes e examinar os elementos geradores de diferenciações e desigualdades sociais e espaciais resultantes das políticas estratégicas regionais de desenvolvimento expressas nos sucessivos planos nacionais, regionais e estaduais.

Cite

CITATION STYLE

APA

Coelho, M. C. N., Monteiro, M. D. A., Lopes, A. G., & Lira, S. B. (2005). Regiões do entorno dos projetos de extração e transformação mineral na Amazônia Oriental. Novos Cadernos NAEA, 8(2). https://doi.org/10.5801/ncn.v8i2.53

Register to see more suggestions

Mendeley helps you to discover research relevant for your work.

Already have an account?

Save time finding and organizing research with Mendeley

Sign up for free