Abstract
Inventário de Estilos Parentais (IEP): um novo instrumento para avaliar as relações entre pais e filhos Izabela Tissot Antunes Sampaio Gomide, P. I. C. (2006). Inventário de Estilos Parentais. Modelo teórico: manual de aplicação, apuração e interpretação. Petrópolis: Vozes. Ao falar em relações entre pais e filhos, encontram-se na literatura diversos modelos teóricos criados e adaptados por pesquisadores que buscam avaliar como as práticas educativas parentais podem afetar o desenvolvimento dos filhos. Esses modelos podem favorecer o desenvolvimento de trabalhos preventivos, de avaliação, orientação e intervenção. Pais podem otimizar o seu papel parental, e psicólogos e outros profissionais, melhorar sua eficiência no estudo e atendimento das famílias, que constituem um núcleo importantíssimo para a compreensão do ser humano. É justamente nessa área que se encontra o Modelo de Estilo Parental criado pela professora Paula Inez Cunha Gomide e equipe. O Inventário de Estilos Parentais (IEP), publicado pela Editora Vozes (2006) e favorecido pelo Conselho Federal de Psicologia em julho de 2005, apresenta como certas práticas utilizadas pelos pais na educação dos filhos podem acarretar, por um lado, o desenvolvimento de comportamentos anti-sociais e, por outro, o desenvolvimento de comportamentos pró-sociais de crianças e adolescentes. O IEP visa auxiliar especialmente profissionais que trabalham com famílias que apresentam risco social, pois permite detectar a quais práticas parentais um indivíduo esteve ou está sujeito, e qual a influência delas no desenvolvimento de comportamentos anti-sociais, como o abuso de substâncias, atos homicidas, infratores, etc. O instrumento também permite que se visualizem as práticas administradas pelos pais que devem ser modificadas, mantidas ou otimizadas, no caso de busca de orientação, intervenção e encaminhamento à terapia de família, por exemplo. Aqui se incluem as famílias que buscam ajuda no sistema jurídico e demais programas de auxílio mantidos por políticas públicas. O inventário deriva de um modelo teórico composto por sete práticas educativas, sendo duas consideradas positivas (monitoria positiva e comportamento moral) e cinco negativas (abuso físico, disciplina relaxada, monitoria negativa, negligência e punição inconsistente). No manual de aplicação, as práticas estão descritas e são sustentadas conforme a literatura da área. Quando se diz que um pai ou uma mãe pratica a monitoria positiva, entende-se que ele tem conhecimento acerca de onde seu filho se encontra, de suas atividades, gostos e preferências. Mediante as práticas que compõem a categoria comportamento moral, os pais ensinam valores como honestidade, empatia e senso de justiça aos filhos, auxiliando-os na discriminação do certo e do errado por meio de modelos positivos. Quando a punição inconsistente ocorre, os pais educam de acordo com seu humor do momento e não de forma contingente ao comportamento da criança, deixando-as confusas na discriminação dos seus comportamentos. E praticam a negligência quando são ausentes, não se interessam pelos filhos e não efetuam um papel significativo nas suas vidas. Eximindo-se de suas responsabilidades e omitindo-lhes auxílio, podem criar crianças inseguras, agressivas e com baixa auto-estima. Quando os pais determinam regras e acabam eles mesmos por desrespeitá-las, ou esquecê-las, eles praticam a chamada disciplina relaxada. Por outro lado, quando determinam regras em excesso, fiscalizam em demasia a vida dos filhos e repetem uma ordem diversas vezes, eles utilizam a monitoria negativa (ou supervisão estressante). Por fim, pais que praticam o abuso físico utilizam práticas corporais lesivas na tentativa de controlar o comportamento dos filhos, causando dor, machucados ou marcas na pele da criança. O abuso físico e a negligência mostram-se como os principais desencadeadores de comportamentos anti-sociais de crianças e adolescentes. Além do construto teórico, o livro explica os passos de elaboração do inventário. Como sua construção foi processual, durante cinco anos várias foram as pesquisas realizadas para sua elaboração. A validação da versão final foi efetuada a partir da aplicação do IEP em 769 jovens pertencentes a dois grupos: 136 em situação de risco (crianças e adolescentes institucionalizados em educan-dários e lares de vítimas abusadas sexual e fisicamente, e de casas-lar) e 633 estudantes de escolas públicas e particulares. A autora também descreve cinco pesquisas realizadas que colaboraram para a validação do instrumento. A primeira delas comparou o IEP respondido pelos filhos com um IEP adaptado para os pais. Constatou-se que pais e filhos respondem de forma similar ao instrumento, o que permite que ele seja utilizado tanto com as crianças quanto com seus pais, facilitando a
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Sampaio, I. T. A. (2007). Inventário de Estilos Parentais (IEP): um novo instrumento para avaliar as relações entre pais e filhos. Psico-USF, 12(1), 125–126. https://doi.org/10.1590/s1413-82712007000100015
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