Abstract
Resumo Este artigo traz uma análise do modelo de petição inicial de requalificação civil de pessoas transexuais elaborado pelas funcionárias do Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e sua influência no cotidiano da instituição. Os dados aqui discutidos são oriundos da etnografia realizada no núcleo em 2014. O principal argumento apresentado para a efetivação do direito à alteração do nome e/ou sexo é a defesa da “dignidade da pessoa humana”. Por um lado, parte da retórica utilizada nestes documentos tenta produzir no indivíduo responsável pelo julgamento uma empatia pelo autor da ação ao apelar para a compaixão. Por outro, há, ao longo do texto, denúncias de uma espécie de “contaminação moral” por parte dos juízes que negam tais pedidos, revelando dimensões morais e emocionais no fazer político de pessoas transexuais na busca pelos “seus direitos”.Abstract This paper analyses the model for a motion of civil requalification of transsexual people prepared by employees of the Center for the Defense of Sexual Diversity and “Homoaffecttive Rights” of the Public Defender’s Office of the State of Rio de Janeiro, and its influence on the daily life of the institution. The data I discuss come from the ethnography carried out at this center during 2014. The main argument for realizing the right to change name and/or sex is a defense of the "dignity of the human person". On the one hand, part of the rhetoric used in these documents tries to produce in the individual responsible for the judgment an empathy for the suitor by appealing to compassion. On the other hand, throughout the text, there are denunciations of a kind of “moral contamination” on the part of judges who deny such requests, revealing moral and emotional dimensions in the political making of transsexual people in search of "their rights".Resumen En este artículo se analiza el modelo de petición inicial de rectificación de nombre y género de personas transexuales elaborado por las empleadas del Núcleo de Defensa de la Diversidad Sexual y los Derechos Homoafectivos de la Defensoría Pública del Estado de Río de Janeiro, así como su influencia en la vida diaria de la institución. Los datos que aquí se discuten provienen de una etnografía realizada en este núcleo en 2014. El principal argumento que se presenta para hacer efectivo el derecho a la alteración del nombre y/o del sexo es la defensa por la “dignidad humana”. Por un lado, parte de la retórica utilizada en estos documentos intenta producir en el individuo responsable por el juicio, una empatía por el autor de la acción al apelar a la compasión. Por el otro, hay, a lo largo del texto, denuncias de una especie de “contaminación moral” por parte de los jueces que niegan estos pedidos, revelando dimensiones morales y emocionales en el quehacer político de las personas transexuales en la búsqueda por “sus derechos”.
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Freire, L. (2020). Em defesa da dignidade: moralidades e emoções nas demandas por direitos de pessoas transexuais. Mana, 26(2). https://doi.org/10.1590/1678-49442020v26n2a205
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