Abstract
Neste artigo, experimento uma reflexão autobiográfica sobre a prática e o método da etnografia de/no arquivo. Recorrendo à metáfora da caçada, argumento que este modo de pesquisa, no cruzamento entre antropologia e história, pode ser entendido como um género de caça semiótica. Isto é: como uma pragmática de perseguição e interpretação de traços, pistas, rastos – por vezes fragmentários, truncados, até ocultos; inscritos em materialidades diversas – que atuam como indícios de eventos que aconteceram no passado. Na investigação aqui revisitada – a etnografia histórica de uma coleção colonial de crânios humanos provenientes de Timor-Leste, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra – a caçada perseguiu um trilho dinâmico e esquivo de traços arquivísticos, indiciador de um passado de violência colonial.In this article I propose an autobiographical reflection on the practice and the method of ethnography in/of the archive. Using the metaphor of hunting, I argue this mode of research situated at the crossroads of the anthropology and history disciplines can be approached as a kind of semiotic hunt. That is: as an investigative work oriented to pursuing and interpreting traces, trails, clues – sometimes fragmentary and broken; embodied in different materialities – that read as signs of events that really happened in the past. In the research practice here examined – the historical ethnography of a colonial collection of human skulls from East Timor now held by the Coimbra University Museum of Science – the semiotic hunt concerned a dynamic trail of archival traces, which ultimately revealed a past of colonial violence.
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Roque, R. (2022). O arquivo, a coleção e o caçador: autobiografia de uma etnografia histórica. Etnografica, 26 (2), 303–325. https://doi.org/10.4000/etnografica.11119
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