Identidades indígenas no ciberespaço

  • Cardoso D
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Abstract

A obra Ciborgues indígen@s.br: a presença na-tiva no ciberespaço apresenta uma análise sobre o uso das tecnologias comunicativas no contexto contemporâneo, enfatizando questões de identida-de de indígenas brasileiros. Suas quatro partes dis-cutem, respectivamente: as mídias nativas e a co-municação indígena no Brasil; a presença indígena no ciberespaço; as interpretações indígenas sobre a internet; e, por fim, os debates ensejados pelas três seções anteriores. Ainda na introdução do livro, a autora aborda questões sobre interações comunicativas e as especi-ficidades da presença indígena no ciberespaço. Nes-se sentido, ela propõe, com base em sua experiência investigativa sobre o tema, explorado na sua disser-tação de mestrado, analisar a dinamicidade cultural inerente às novas estratégias para tentar solucionar problemas históricos. A problemática central se refere ao modo como indígenas brasileiros se apropriam das tecnologias comunicativas digitais e como eles interagem, pro-porcionando reelaborações de discursos sobre si. Contudo, a autora ressalta que essa apropriação ainda é um desafio, apesar da nova condição na-tiva contemporânea, em que indígenas participam como usuários e produtores de conteúdo, e das ações governamentais e não governamentais com vistas à inclusão digital. Vários são os exemplos desse esforço pela implementação de políticas de inclusão digital, mas a questão é mais complexa do que se pode supor. Independentemente das ações voltadas para essa inclusão, os grupos indígenas estão ocupando o ciberespaço com estratégias co-municativas interessantes que se refletem em novas maneiras de pressionar por ações governamentais e outras de organismos não governamentais. Desse modo, a internet contribui como ambiente de inte-rações comunicativas que reforçam a cidadania dos indígenas em suas várias demandas. Em termos de metodologia, a discussão sobre o fazer etnográfico enfatiza o contexto da investi-gação, o que levou a autora a utilizar também a etnografia do virtual, realizando a pesquisa sobre a interação comunicativa de grupos indígenas em blogs, sites e redes sociais, em parte, diretamente nesses espaços. Há um debate interessante sobre a possibilidade de a investigação antropológica ser feita no campo da virtualidade, problematizando as obras que lhe serviram de inspiração e conduzi-ram seu trabalho. Torna-se possível, assim, a reflexão acerca de um tema que a autora considera provocativo, que é o de as representações que ainda se fazem sobre os indígenas, notadamente aquelas relacionadas aos estudos antropológicos, nem sempre condizerem com as imagens que os indígenas constroem sobre si. Essa situação se justifica pela permanência no imaginário de que esses grupos são selvagens e de que precisam ser tutelados. Discutir o modo de fazer pesquisa antropo-lógica com indígenas remete à tradição do traba-lho de campo e à necessidade de pesquisadores se deslocarem para realizá-lo. Consequentemente, a visão que se tinha do trabalho de campo com gru-pos indígenas precisa ser revista de acordo com a construção de sua autopercepção e com o uso que fazem da internet para se articularem e buscarem o atendimento de suas demandas, alterando assim sua relação com o Estado e com o restante da so-ciedade. Diante desse problema metodológico, a autora detalha o universo pesquisado. A fim de caracterizar a sociabilidade tecnossocial dos gru-pos estudados, ela fez o mapeamento de cinquenta sites de acordo com a autoidentificação indígena de etnias situadas no Brasil. Outros critérios de classificação foram os níveis de interatividade e a arquitetura de informação e conteúdo. Ao expor as estratégias empregadas, ela explica a relevância dos sites como fontes eletrônicas para análises de narrativas hipertextuais. Para refinar as interpreta-ções dos significados da internet sob a perspectiva dos próprios indígenas, foram realizadas entrevis-tas com alguns deles. Após essa introdução, os capítulos da primeira parte enfatizam a discussão sobre o fenômeno tec-nológico e comunicativo presente na rede mundial

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Cardoso, D. M. (2014). Identidades indígenas no ciberespaço. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 29(86), 146–149. https://doi.org/10.1590/s0102-69092014000300011

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