Abstract
A tualmente, muito se tem estudado sobre a associação, direta ou indire-ta, entre a elevada taxa de mortalidade e a fratura por fragilidade óssea. A relação com maior mortalidade é mais evidente após a fratura de quadril (1) do que após fraturas vertebrais (2) ou periféricas. Em contrapartida, ainda, não está suficientemente esclarecido se o aumento do número de mortes é decorrente da fratura propriamente dita ou se está relacionada com outras variáveis, como idade avançada, presença de doenças concomitantes ou complicações clínicas e cirúrgicas após o evento. Além disso, também tem sido demonstrada associação entre baixa den-sidade e perda óssea recente com maior taxa de mortalidade geral e cardio-vascular (3), independentemente da idade, enfatizando a similaridade da calcificação da parede arterial e osteogênese. No entanto, se realmente exis-te incremento da taxa de mortalidade após as fraturas, o tratamento para osteoporose, além de reduzir a taxa de novas fraturas, também deveria dimi-nuir a taxa de mortalidade. Recentemente, Lyles e cols. (4), ao avaliarem 2.127 pacientes por meio de estudo randômico, duplo-cego, placebo-con-trolado, verificaram redução de 28% na taxa de mortalidade naqueles que receberam infusão anual de ácido zoledrônico 90 dias depois da correção cirúrgica de fratura de quadril. Em geral, no primeiro ano depois da fratura de quadril, cerca de 10% a 20% dos pacientes tornam-se incapacitados, 15% a 40% são institucionaliza-dos e 20% a 35% morrem. Nesse sentido, estudos nacionais, realizados em São Paulo e Rio de Janeiro (5-7), com delineamento retrospectivo, demons-traram deterioração funcional e maior taxa de mortalidade (21,5% a 30,35%) em idosos, especialmente por causas cardiovasculares e infecções. O estudo de Fortes e cols. (8) é a primeira pesquisa nacional pros-pectiva que avaliou a mortalidade e a incapacidade nos primeiros seis meses depois da fratura de quadril. Cinqüenta e seis idosos (80% mulhe-res), com média de idade de 80 anos, provenientes de dois hospitais de referência da região metropolitana de São Paulo, foram acompanhados, e a taxa de mortalidade encontrada foi de 23,2%. Além disso, verificaram que apenas cerca de 30% retornaram às suas atividades e 11,6% torna-ram-se completamente dependentes. A falta de diagnóstico depois do evento constitui um problema impor-tante em vários países do mundo, até mesmo no Brasil, como demonstrado no manuscrito publicado nessa edição dos ABE&M (8). Mesmo após um evento significativo, como a fratura de quadril, somente, 13,9% dos pacien-tes receberam o diagnóstico de osteoporose e 11,6% iniciaram algum trata-mento no momento da alta hospitalar. De modo semelhante, o estudo BRAZOS (9) mostrou que cerca de 85% dos homens e 70% das mulheres, com antecedente de fratura por baixo impacto, também não receberam qualquer informação sobre a doença que ocasionou a fratura, a osteoporose.
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Pinheiro, M. de M. (2008). Mortalidade após fratura por osteoporose. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 52(7), 1071–1072. https://doi.org/10.1590/s0004-27302008000700001
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