O método comparativo em Antropologia Social

  • Evans-Pritchard E
  • Perrone-Moisés B
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Abstract

Escolhi como tema para esta conferência 1 em homenagem a L. T. Hobhouse um modo de pesquisa bastante utilizado por ele. Pode parecer que, como o método comparativo foi discutido por Radcliffe-Brown (1951) e, mais recentemente, pelo professor Ginsberg (1961: 194-207) e outros, não é necessário prosseguir a reflexão. Na verdade, só depois de ter-me comprometido dei-me conta do quanto foi escrito sobre esse assunto nos últimos anos. Temo não poder dizer algo de novo. Posso apenas enfatizar alguns pontos facilmente perceptíveis em algumas das reflexões críticas a respeito do método e declarar meu ponto de vista. Não pedirei mais desculpas por reconsiderá-lo, pois as questões que envolve são fundamentais e cruciais. Irei limitar-me basicamente a uma apreciação histórica do método comparativo e majoritariamente neste país. Além disso, restrinjo meus comentários a alguns exemplos de uso do método (nomes que se esperaria ouvir, como Frazer, Max Müller e Westermarck, não são mencionados). O tratamento do tema em seu sentido lato implicaria a consideração de toda a literatura antropológica, já que, nesse sentido amplo, não existe outro método. A comparação é, obviamente, um dos procedimentos essenciais de toda ciência e um dos procedimentos elementares do pensamento humano. É igualmente evidente que se alguma afirmação geral a respeito de instituições sociais pode ser feita, depende da comparação do mesmo tipo de instituição numa ampla gama de sociedades. É natural, portanto, que isso tenha sido reconhecido; e o que posteriormente viria a ser conhecido como método comparativo é praticado há muito tempo-por Aristóteles em seu estudo das diversas formas de constituição, por Maquiavel em seu estudo das condições nas quais príncipes conservam ou perdem poder (a arte da política), por Montesquieu em seu estudo das diferentes instituições, sentimentos e climas que acompanham diferentes formas de governo, aquilo que hoje é chamado de tipos ideais de governo-para citar apenas três exemplos clássicos.

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Evans-Pritchard, E. E., & Perrone-Moisés, B. (2021). O método comparativo em Antropologia Social. Cadernos de Campo (São Paulo - 1991), 30(2), e191855. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v30i2pe191855

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