Abstract
O presente artigo é uma tentativa de síntese de relatos etnográficos produzidos no âmbito da etnologia sul-americanista acerca do problema do suicídio entre indígenas. Parte da hipótese do aparecimento ou aumento de suicídios em ondas, predominantemente entre pessoas jovens, como sintomática de um tempo presente, onde pressões semelhantes estariam atingindo novas gerações. A leitura do material bibliográfico, ainda exíguo, fez-se com foco especial nas racionalizações indígenas acerca das condições vividas e sofridas que poderiam levar uma pessoa a passar ao ato. Nestas, fica patente duas ordens de incidência de perturbações sobrepostas: a de fundo “espiritual” em largo espectro, e a de tensões nas relações intergeracionais e entre afins. Em face da indispensabilidade da consideração da noção de pessoa para a abordagem do fenômeno nestas etnografias, e interrogando o enquadramento do problema dos suicídios indígenas no âmbito da “saúde mental”, o artigo coloca em perspectiva ontologias ameríndias e a da psicanálise. Já que em ambas o suicídio está associado a processos de “despersonalização”, examina a possibilidade ou impossibilidade de simetrização do “psíquico”.This article is an attempt to synthesize ethnographic reports produced within the framework of South American ethnology concerning the problem of suicide among indigenous people. It had as a previous hypothesis that the emergence or increase of suicides waves, predominantly among young people, was symptomatic of a current moment, where similar pressures could be affecting new generations. The reading of the bibliographical material, still exiguous, was made with special focus on indigenous rationalizations about the lived and suffered conditions that could lead a person passing to the act. There are in them two orders of incidence of overlapping disturbances: the "spiritual" background on a broad spectrum, and tensions in intergenerational or in affinity relations. Given the indispensability of notions of person to the approach of the phenomenon in these ethnographies, and questioning the framing of the problem of indigenous suicides in the scope of "mental health", the article puts into perspective notions of Amerindian person and that of psychoanalysis. Since in both cases suicide is associated with processes of "depersonalization", it examines the possibility or impossibility of symmetrization of the "psychic".
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Pechincha, M. (2019). Aportes da etnografia sul-americanista ao entendimento dos suicídios indígenas: Uma tentativa de síntese a partir de noções divergentes de “psique”/“alma.” Anuário Antropológico, v.43 n.1, 223–256. https://doi.org/10.4000/aa.2965
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