Abstract
Este estudo apresenta uma caracterização sobre a violência e os conflitos socioambientais associados às distintas formas de apropriação da natureza em terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas e não indígenas de comunidades agroextrativistas na região noroeste do Estado do Amazonas. A abordagem metodológica é baseada na pesquisa qualitativa e quantitativa com a utilização das cartografias sociais junto dos agentes interlocutores da pesquisa. A microrregião do Alto Solimões, pertencente ao Estado do Amazonas, abrange a tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru, um território marcado por conflitos entre as sociedades rurais locais e madeireiros, garimpeiros, pescadores comerciais e a presença do narcotráfico. Longe de serem resolvidos, estes conflitos impossibilitam o reconhecimento de direitos territoriais e configuram múltiplas formas de violência. Contudo, o enfrentamento e as resistências fazem-se presentes contra os atos de Estado e as presenças para uns e ausências para outros por parte das instituições públicas na região da tríplice fronteira. Os processos de resistências são revelados pelos inúmeros mecanismos que permitem o acionamento de identidades e de territorialidades expressas perante a conivência de poderes semiocultos e o desrespeito destes ao uso tradicional dos ecossistemas amazônicos e aos modos de vida local.This study presents a characterisation of the socio-environmental conflicts and violence associated with the different appropriation forms of nature in lands traditionally occupied by indigenous and non-indigenous people from agro-extractivist communities in the northwest region of the State of Amazonas. The methodological approach is based on the qualitative and quantitative research with the use of social cartographies. The Alto Solimões micro-region of the State of Amazonas, on the triple border of Brazil, Colombia and Peru, is a territory marked by social conflicts between local rural societies and loggers, gold miners, commercial fishermen and drug traffickers. Far from being resolved, these conflicts make it impossible to recognise territorial rights and evoke multiple forms of violence. However, resistances are present against acts of State and the presence for some and the absence for others of public institutions in the triple border region. The resistance processes are revealed by the innumerable mechanisms that allow the activation of identities and territorialities expressed in the face of the connivance of (semi)hidden powers and the disrespect of the traditional use of Amazonian ecosystems and the local ways of life.Cette étude présente une caractérisation de la violence et des conflits socio-environnementaux associés aux différentes formes d’appropriation de la nature dans les terres traditionnellement occupées par les peuples autochtones et non autochtones des communautés agro-extractives de la région nord-ouest de l’État d’Amazonas. L’approche méthodologique est basée sur la recherche qualitative et quantitative avec l’utilisation de cartographies sociales auprès des interlocuteurs de la recherche. La microrégion d’Alto Solimões, appartenant à l’État d’Amazonas, englobe la triple frontière du Brésil, de la Colombie et du Pérou, un territoire marqué par des conflits entre les sociétés rurales locales et les bûcherons, les prospecteurs, les pêcheurs commerciaux et la présence de trafic de drogue. Loin d’être résolus, ces conflits empêchent la reconnaissance des droits territoriaux et configurent de multiples formes de violence. Cependant, la confrontation, ainsi que les résistances sont présentes contre les actes de l’État et les présences pour certains et les absences pour d’autres par les institutions publiques dans la région de la triple frontière. Les processus de résistance sont révélés par les nombreux mécanismes qui permettent l’activation des identités et des territorialités exprimées face à la collusion des pouvoirs semi-occultes et leur mépris pour l’usage traditionnel des écosystèmes amazoniens et des modes de vie locaux.
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Rapozo, P., & Silva, M. C. (2020). Fronteiras da Re-existência e Resistência: As cartografias dosconflitos socioambientais na tríplice fronteira amazónica, Colômbia e Peru. Configurações, 25, 59–87. https://doi.org/10.4000/configuracoes.8497
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