Abstract
"Embora muitas culturas possam remodelar os jatos da geração de filhos, a gravidez permanece visível, incapaz de ser escondida, exceto dentro da área das grandes cidades ou das sociedades complexas. E mantem-se, de forma absoluta, a diferença entre a mulher que deu a luz a um filho e a que não deu". MARGARETH MEAD O aborto tem sido muito estudado, mas razões para levar a termo a gravidez em condições sociais adversas para a mãe, não tem merecido igual atenção. Vários autores analisam a situação de desamparo dentro do contexto de assistência somática. Na avaliação do risco gravídico, as condições sociais, inclusive a situação de desamparo da gestante, tem sido levada em consideração (CIARI JÚNIOR & ALMEIDA, 1972); foi constatado que os riscos de mortalidade perinatal são duas os três vezes maiores entre os filhos de pacientes de vida conjugal irregular (ARVALHEIRO, 1970) e que, estes tipos de pacientes são as que mais se omitem da assistência pré-natal, e que quando a procuram, o fazem tardiamente (PELÁ, 1972). KLEIN (1972) atenta para o fato de existir, na mãe solteira jovem, sentimento de ambivalência entre seus tradicionais sistemas de valores e seus anseios de liberdade. Lembra que as jovens mães não devem ser estereotipadas, pois cada qual tem seu próprio contexto de vida particular e que o único fato comum é o nascimento de uma criança. Estudo realizado, em um país onde há abortamento legal, constatou que em 229 jovens solteiras grávidas, 151 elegeram assistência pré-natal e 78 optaram pelo abortamento legal (FISCHMAN, 1975). No presente estudo pretendemos identificar alguns elementos de apoio que a mãe encontra para manter-se grávida, bem como conhecer as razões que alegam para levar a termo a gestação apesar das condições sociais desfavoráveis. Com o conhecimento dos elementos de apoio, poder-se-á, através do fortalecimento desses elementos, desenvolver urna política mais eficiente de profilaxia do aborto como também proporcionar maior segurança na orientação e cuidados prestados á gestante nessa situação.
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Pelá, N. T. R., & Santos, C. de A. F. (1978). MATERNIDADE E MÃE DESAMPARADA. Revista Brasileira de Enfermagem, 31(4), 517–524. https://doi.org/10.1590/0034-716719780004000009
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