Abstract
Este artigo situa os diferentes discursos que buscaram explicar as epidemias através da constituição de noções, conceitos e teorias. Procura assinalar suas condições de aparecimento a transformação, articulando-as ao conhecimento vigente em cada época. Analisa as percepções de 'contágio' a 'miasma' que relacionam a propagação das epidemias aos sentidos do tato e do olfato; a teoria da constituição epidêmica, releitura da tradição hipocrática; a a teoria do contágio formulada no século XVI por Fracastoro. Detém-se na construção do conceito de transmissão, articulada a emergência da medicina moderna, no século XIX, detectando uma descontinuidade quando ocorre mudança na estrutura perceptiva da propagação das doenças epidêmicas.The article contextualizes the various discourses that have sought to explain epidemics through the elaboration of different notions, concepts, and theories. It describes the circumstances under which these discourses appeared and were transformed and ties them in to each era's universe of knowledge. It analyzes (1) the perceptions of contagion and miasma that linked the spreading of epidemics to the senses of touch and smell; (2) the theory of epidemic constitution - a re-reading of the Hippocratic tradition; and (3) Fracastoro's 16th century theory of contagion. Special attention is devoted to elaboration of the concept of transmission in conjunction with the emergence of modern medicine during the 19th century and to the discontinuity occasioned by a new perception of how epidemic diseases spread.
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Czeresnia, D. (1997). Do contágio à transmissão: uma mudança na estrutura perceptiva de apreensão da epidemia. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 4(1), 75–94. https://doi.org/10.1590/s0104-59701997000100005
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