Abstract
PSICOPATOLOGIA possível que alguém sofra de uma enfermidade endógena". Com isso, coloca o endógeno desde o princípio em proximidade imediata do somático. Estreitamente ligado ao conceito de "disposição", o endógeno aparece como uma região etiológica pertencente ao território do soma, mas não definível mais do que isso, e à qual são reduzidas aquelas alterações psíquicas chamativas que se denominam psicoses endógenas. A psiquiatria tem visto claramente o peculiar e inequívoco de tais psicoses, e as tem designado acertadamente com o termo de endógenas, mas em seguida tem "somatizado" de forma demasiado irrefletida o endógeno. Na realidade, considera-se o endógeno como algo somatógeno, entretanto ainda não comprovado e, no curso do tempo, espera-se poder esclarecer o campo obscuro de sua procedência como um campo causal somático. Mas, até então, o endógeno continuará absolutamente como criptógeno. Portanto, no fundo, "endógeno" é um conceito negativo. Em contraposição ao anterior, tentaremos revelar aqui o conteúdo positivo definível do endon e do endógeno. Quando J. Wyrsch, ao final de sua contribuição à história das psicoses endógenas, coloca a pergunta se as diversas formas fenomênicas do ser-do-homem "são reunidas em um todo por alguma instância" 3 , e quando a seguir interroga se as psicoses endógenas estariam aí incluídas, nós respondemos a essas interrogações: que com o termo endon compreendemos a instância espontânea e original que se manifesta em certas formas fundamentais do ser-do-homem, e que essas formas fenomênicas-tanto em momentos de saúde como, e com maior razão, em momentos de psicose-são o que queremos designar como endógeno. Esta "novidade enigmática da endogenidade" 4 tão inconfundível em seus modos de manifestação psicóticos, alude na totalidade das alterações psíquicas a uma dimensão tão ampla de procedência, que dita dimensão tem de considerá-la como algo completamente original. H. Kunz 5 fala dessa originalidade como "uma endogenidade radical e constitutiva do ser-do-homem como tal". Kunz a entende como o "caráter acontecitivo interior" que se representa, antes de tudo, nos "processos de maturação tão dificilmente inteligíveis". Refere-se com isso ao desdobramento de si mesmo, implícito, involuntário e subtraído à própria disponibilidade. Mas endógeno é também o involuntário que caracteriza o ser-do-homem em sua singularidade, que mantém sua própria identidade no decurso temporal: em seu
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Tellenbach, H. (1999). A endogenidade como origem da melancolia e do tipo melancólico,. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2(4), 164–175. https://doi.org/10.1590/1415-47141999004011
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