Abstract
Comunidades dependentes de recursos pesqueiros combinam informações acerca do comportamento da ictiofauna com características oceanográficas e interações ecológicas. Esse conhecimento é definido como tradicional: um complexo entre conhecimento histórico, prático e crenças, os quais evoluem por processos adaptativos e são transmitidos através das gerações. No litoral norte do Rio Grande do Sul, uma comunidade estabelecida nas margens do Rio Tramandaí realiza pesca de emalhe. A interação com animais marinhos ocorre em todas as artes de pesca na região, e a captura incidental de aves marinhas é registrada no sul do país. Predadoras de topo, as aves interagem com barcos pesqueiros em busca de alimento. O objetivo do presente estudo é explorar o conhecimento dos pescadores sobre as aves marinhas. Doze pescadores de Imbé foram entrevistados. Nas narrativas escritas, utilizou-se a análise de discurso. Os pescadores identificam as espécies de aves e as relacionam ao ambiente, reconhecem seus ciclos de vida, e utilizam seus comportamentos para localizar o recurso pesqueiro e obter dados oceanográficos e meteorológicos para aprimorar a navegação. Dessa forma, verificou-se que o conhecimento sobre as aves é uma variável para a orientação no oceano e para a realização de uma pesca efetiva.
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Mazzochi, M. S., & Carlos, C. J. (2020). Pescadores e aves marinhas: etnobiologia de uma comunidade pesqueira no sul do Brasil. Biotemas, 33(2), 1–16. https://doi.org/10.5007/2175-7925.2020.e71987
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