Abstract
responsabDidade sodal da empresa 1. Um apelo à História; 2. Objetivo econômico versus objetivo social; 3. A bordagem critica às principais proposições de responsabilidade social Responsabilidade sodal da empresa: uma visão histórica de sua problemática Heloisa Werneck Mendes Guimarães Do CMA/FacefUFMG Nas últimas três décadas tem havido um crescente inte-resse em relação ao tema da responsabilidade social das empresas. A acirrada polêmica que hoje se trava em tor-no dos complexos fatores envolvidos na questão é fruto de diferentes óticas sob as quais o problema tem sido en-focado. As pressões exercidas sobre as empresas para que es-tas se tornem mais sintonizadas com os problemas sociais se constituiu num movimento que, ultrapassando a mera consideração das obrigações legais e econômicas, pôs em xeque o próprio conceito de legitimidade que servia de suporte aos negócios empresariais. Se no início da indus-trialização "aceitava-se" que a missão dos negócios era estritamente econômica, ou seja, produzir a melhor qua-lidade de bens e serviços ao mais baixo preço possível e distribuí-los eficazmente, com o correr do tempo novas questões foram sendo colocadas para as empresas. A teoria econômica tradicional estabeleceu uma linha demarcatória que isolava em esferas autônomas as rela-ções de troca, características da situação de mercado-campo dos economistas-e as relações de classe-cam-po dos S(,;,;~ólogose historiadores. Nesses termos, o pro-blema básico da investigação econômica residiria na uti-lização eficiente de recursos escassos para a consecução de fins dados, fins esses defrnidosem termos de desejos humanos. A suposição de que esses fíns (desejos) eram dados e determinados fez da adequação dos meios a per-gunta central da Economia, ou seja, como empregar os recursos existentes (humanos, materiais, naturais e artifi-ciais) para maximizar a satisfação dos desejos. A consi-deração da esfera econômica como autônoma e pretensa-mente governada por necessidades, em grande parte in-dependentes das condições institucionais particulares, levou à formulação de leis econômicas tão abstratas e gerais que pouco contribuíram para a compreensão da es· sência dos fenômenos reais. Debater-sobre o significado do comportamento so-cialmente responsével que se cobra das empresas exige uma compreensão do desenvolviménto econômico-social-político .que conduziu ao estabelecimento da moderna sociedade capitalista. Nesse desenvolvimento assumem papel relevante as diferenças qualitativas de ligação das diversas classes sociais com o sistema produtivo. Isso porque, em cada período da história, a classe social e po-liticamente dominante se utilizou do seu poder para manter o modo de produção e as relações de classe esta-belecidas, de forma a perpetuar seu status quo. Torna-se, assim, evidente, que as principais questões referentes à responsabilidade social não podem ser debatidas, a me-nos que seja abolida a barreira erguida entre o econômi-co e o social. Neste trabalho, pretendemos discutir, ainda que a nível exploratório, duas questões que a nosso ver 8[0 essenciais para o tema em análise. Em primeiro lugar, procuraremos caracterizar que, por se terem limitado es-tritamente a seu papel econômico e ignorado o lado social de suas atividades, as empresas se apresentam despre-paradas para lidar com metas sociais. Quando, a partir de 1950, a preocupação pública dirigiu-se agudamente para assuntos sociais, expressando-se em forma de intensas de-mandas feitas às organizações, os dirigentes empresariais, muitas vezes perplexos, não foram capazes de visualizar a abrangência da problemática que se impunha. Uma in-cursão pela história, mesmo que breve, nos parece de ex-trema importância para que se possa perceber o papel atribuído aos negócios e a justificativa ideológica que em cada período do desenvolvimento da sociedade serviu de suporte ao modo de produção estabelecido. A segunda questão é um corolário da anterior. A predominância absoluta do critério econômico faz com que a responsabilidade social seja, na maioria das vezes, vista como um "mal necessário", a menos que possa ser assegurado um retorno lucrativo. Grande número dos empresários se considera responsável apenas perante seus acionistas, aos quais devem ser prestadas contas do di-nheiro investido na empresa. Acreditam já cumprirem uma importante função social ao proverem empregos pa-ra a comunidade. Por outro lado, a maioria daqueles que defendem a necessidade de um comportamentorespon-sável por parte das 'empresas deixam escapar, nas entre-linhas do seu discurso, um baixo comprometimento real com as questões sociais. A responsabilidade social é in-corporada às estratégias gerenciais muitas vezes de forma irresponsável.
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Guimarães, H. W. M. (1984). Responsabilidade social da empresa: uma visão histórica de sua problemática. Revista de Administração de Empresas, 24(4), 211–219. https://doi.org/10.1590/s0034-75901984000400031
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