Abstract
Este artigo tem por objetivo refletir a relação entre ódio e laço social contemporâneo a partir das manifestações sociais, chamadas “jornadas de junho”, ocorridas em 2013 no Brasil, destacando suas marcas expressivas de raiva e destrutividade voltadas para as representações do gozo capitalista, insígnias do mal estar na cultura contemporânea. Interroga, segundo os estudos freudianos sobre a cultura, o lugar da negatividade do ódio na constituição do laço social, colocando em cena as relações do sujeito com o outro, sobretudo quando este é tratado como objeto. Trata-se assim de mostrar que há uma lacuna nas críticas dirigidas às jornadas quando reduzidas tais manifestações a atos de vandalismo e de violência, ignorando o aspecto do ódio no sentido de uma recusa do sujeito (pobre, negro, gay, mulher etc.) em ser considerado desprezível pela sociedade do capital.
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Arrais Neto, E. de A., Paula, F. de S., & Feijó, J. P. (2020). Brasil 2013: Revista Labor, 2(24), 617–637. https://doi.org/10.29148/labor.v2i24.62469
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