Abstract
RESUMO-Analgésicos (ANA) e antiinflamatórios não-hormonais (AINH) podem causar reações que simulam as alérgicas ou agravam asma e urticária. OBJETIVO. Verificar as manifestações clínicas de pacientes com história de reação a analgésicos (ANA) e antiinflamatórios não-hormonais (AINH). MÉTODO. Análise retrospectiva de prontuários de 183 pacientes com história de sensibilidade a ANA e AINH. RESULTADOS. Eram 93 (51%) pacientes do sexo feminino e 90 (49%) do sexo masculino; 63 (34%) com idade igual ou inferior a 15 anos e 120 (66%) com idade superior a 15 anos. Havia um predomí-nio de pacientes do sexo feminino com idade superior a 15 anos que foi estatisticamente signifi-cativo (p = 0,02). A idade por ocasião da primeira reação com medicamentos variou de 7 meses a 65 anos (média de 15 anos). Testes cutâneos para aeroalérgenos foram positivos para pelo menos um alérgeno testado em 100/138 (72%). As mani-festações clínicas encontradas foram angioede-ma (86%), urticária (39%), reações sistêmicas INTRODUÇÃO Há 100 anos o ácido acetilsalicílico (AAS) tem sido utilizado por bilhões de pessoas como o pri-meiro antiinflamatório não-hormonal (AINH), bem como analgésico (ANA) e antipirético 1. A par-tir de 1960, uma série de outros AINH foram sintetizados e administrados não só para doenças musculoesqueléticas, mas para inflamação em ge-ral e cólica menstrual. A cicloxigenase, enzima responsável pela gera-ção de prostaglandinas (PG) a partir do ácido araquidônico se apresenta sob uma forma indu-zida (COX-2) e uma isoforma diferente, consti-tutiva (COX-1). A COX-2 é indetectável nos teci-dos em condições fisiológicas, mas aumenta sua expressão em até 80 vezes durante inflamação ou estímulo mitogênico 2. O estímulo à COX-1 regula processos fisiológicos normais e é responsável pela síntese de prostaglan-dinas 3, 4. O maior benefício dos inibidores seletivos de (30%), reações nasais e oculares (15%) e crise de asma (14%). Não havia diferença quanto à fre-qüência de sintomas com relação à idade. Havia história familiar de sensibilidade a ANA/AINH em sete pacientes (3,8%). As doenças associadas fo-ram rinite (55%), urticária crônica (47%), asma (37%) e conjuntivite (17,5%). As drogas causavam crise de asma com maior freqüência em asmáticos do que em não asmáticos (p = 0,001). Reações repetidas a mais de uma droga ocorreram em 107 (58%) pacientes. CONCLUSÕES. Reações a ANA e AINH foram fre-qüentes em atópicos; crianças e adultos reagiam igualmente; foram mais comuns em adultos do sexo feminino; angioedema palpebral foi a mani-festação clínica mais freqüente; broncoespasmo foi mais comum nos asmáticos e a maioria dos pacientes tinha reações repetidas a mais de uma droga. UNITERMOS: Antiinflamatório. Alergia. Asma. Ácido acetil salicílico. COX-2 é um perfil favorável em efeitos colaterais, sem a perda da atividade antiinflamatória 2. A exposição ao AAS e aos AINH é bem tolerada pela maioria dos indivíduos. Alguns desenvolvem efeitos adversos que incluem reações alérgicas e pseudoalérgicas. Reações cruzadas respiratórias (rinoconjuntival e asma) e reações cruzadas cutâ-neas (urticária/angioedema) são ligadas ao efeito comum de inibição da cicloxigenase pelo AAS e AINH. As outras reações são específicas para cada droga e independentes do efeito de inibição da COX, incluindo urticária/angioedema ou anafila-xia, meningite asséptica e pneumonite de hiper-sensibilidade secundária. Estas reações são causa-das por AAS ou um AINH específico 5. A inibição da COX por estes agentes parece ser responsável pelo desequilíbrio dos metabólitos do ácido araquidônico, com um aumento dos produtos derivados da lipoxigenase, os leucotrienos (LT), com propriedades broncoconstritoras e proinfla-matórias 6-9 .
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Rosário, N. A., & Ribeiro, A. C. (2000). Achados clínicos da sensibilidade a analgésicos e antiinflamatórios não-hormonais. Revista Da Associação Médica Brasileira, 46(3), 201–206. https://doi.org/10.1590/s0104-42302000000300003
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