Abstract
Quando a Anpocs me honrou com o convi-te para pronunciar uma conferência em seu en-contro anual-convite que aceitei antes dos acon-tecimentos do último 11 de setembro-escolhi como título A Antropologia numa era de confu-são. Certamente eu não fazia idéia naquele mo-mento de quão sinistramente apropriado o título havia de se tornar. O ataque terrorista aos Estados Unidos mostrou dramaticamente-muito mais dramaticamente do que todos os nossos escritos sobre a globalização-o grau de confusão de nos-sos tempos. Essa confusão, ou melhor, essas con-fusões são acompanhadas, lamento dizer, pela confusão na antropologia. Tentarei, portanto, de-semaranhar neste texto algumas delas. Primeiro, para colocá-las em perspectiva, pe-direi a meus leitores que pensem retrospectiva-mente no começo da antropologia; que conside-rem o que ela tentou fazer e se pode continuar a fazê-lo. Tais reflexões são inevitavelmente idios-sincráticas. Cada um de nós provavelmente re-constrói a história da antropologia de uma manei-ra diferente, mas acredito que exista consistência suficiente nessas genealogias para os propósitos muito gerais destas primeiras linhas. Acredito que a antropologia emana de um impulso tão antigo quanto a humanidade, da cu-riosidade sobre os outros povos combinada com a introspecção a nosso próprio respeito, quem quer que acreditemos ser. Ela deriva da especula-ção sobre a natureza humana, sobre o que signi-fica ser mulher ou homem, e de um desejo de en-tender a variedade da cultura humana. Em minha reconstrução do início da antro-pologia, gosto de começar com Heródoto. Esco-lho-o como primeiro ancestral por causa de seu relativismo e considero o relativismo fundamental para a boa antropologia. Não me refiro ao relati
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Maybury-Lewis, D. (2002). A antropologia numa era de confusão. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 17(50). https://doi.org/10.1590/s0102-69092002000300002
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