Abstract
Médica, doutora em Ergonomia pela Universidade Paris 13. Aposentou-se da Fundacentro-SP onde foi pesquisadora do Setor de Ergonomia por mais de trinta anos. A expressão "análise ergonômica do trabalho" é pouco conhecida entre nós. Foi apenas a partir da década de 1990, do século passado, que começou a ser mais empregada graças, principalmente, à publicação de uma nova versão de uma das normas que disciplinam as matérias de segurança e saúde do trabalhador no Brasil, a qual dizia textualmente: "cabe aos empregadores realizar a análise ergonômica do trabalho". Trata-se da Norma Regulamentadora de Ergonomia 17, ou NR 17, do Ministério do Trabalho e Emprego (BRASIL, 1990) que, em sua nova versão, ampliava o campo normativo da ergonomia. Anteriormente restrito a conselhos sobre como levantar e carregar pesos, ela passou a incluir mais quatro itens: o mobiliário de trabalho, algumas condições dos ambientes de trabalho, os equipamentos (todos os equipamentos) de trabalho e, a maior novidade, a organização do trabalho que, para efeito da norma, incluía o "conteúdo do trabalho", os "modos operatórios", as regras e tempos de trabalho. O novo conteúdo da NR 17 foi bastante influenciado pelo que, na época, era chamado de ergonomia francofônica e que era, nada mais nada menos, do que a ergonomia que estava sendo desenvolvida no então Laboratório de Ergonomia, do prestigiado Conservatório Nacional de Artes e Ofícios, o CNAM (em francês), de Paris. Por lá, graças à generosa acolhida que recebiam de seu diretor, o saudoso Professor Alain Wisner, passaram dezenas de brasileiros-médicos, psicólogos engenheiros-que, de retorno ao Brasil, tratavam de pôr em prática o que lhes parecia mais significativo, dentre o que tinham aprendido. Foi o que aconteceu quando da discussão da nova versão da norma (BRASIL, 2002), da qual participaram ex-alunos do Laboratório de Ergonomia do CNAM. Mas, se esta ergonomia tentava responder às demandas sociais que chegavam àquele laboratório, muitas delas vindas do forte movimento sindical francês da época, o mesmo não aconteceu por aqui e muitos dos termos por lá utilizados, relativamente claros e compreensíveis para os franceses, quando transportados para cá causaram e continuam causando dúvidas. Os acasos da vida fizeram com que eu estivesse no Laboratório (que então se chamava Laboratório de Fisiologia do Trabalho e Ergonomia) na época em que estava sendo formulado e sistematizado o que depois veio a ser chamado de Análise Ergonômica do Trabalho ou AET. Ainda guardo uma apostila de capa amarela (DURAFFOURG et al., 1977) que era utilizada por Jacques Duraffourg quando nos ensinava, a nós alunos do curso de especialização, como ir a campo. Acredito que esta apostila tenha sido o embrião do posterior livro Compreender o trabalho para transformá-lo, a prática da ergonomia (GUÉRIN et al., 2001) também escrito por Duraffourg e
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Ferreira, L. L. (2015). Sobre a Análise Ergonômica do Trabalho ou AET. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 40(131), 8–11. https://doi.org/10.1590/0303-7657ed0213115
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