Abstract
A presente dissertação de doutoramento insere-se numa área partilhada entre a História do Urbanismo e a História Urbana, tendo como objectivo o estudo das alterações da forma urbana que ocorreram na cidade de Lisboa, entre o período dos reinos de Taifas e o final do reinado de D. Dinis. Através da reconstituição possível da forma urbana, pretende-se compreender os processos que desencadearam mutações na imagem da cidade, dentro do referido período. A utilização de metodologias diversas consoante as múltiplas fontes analisadas tornou possível recuperar as lógicas urbanas que marcaram indelevelmente a cidade de Lisboa. Deste modo, cruzaram- se diversas fontes para se obter um panorama mais completo possível do nosso objecto de estudo. Fontes documentais, arqueológicas, cartográficas, iconográficas, e o parcelário actual foram analisados e considerados em conjunto para se obterem imagens coerentes de vários pontos fortes da cidade medieval. A dimensão de uma cidade como a Lisboa medieval obrigou a que análise dos processos urbanos tenha sido conduzida através de uma focagem selectiva, onde a topografia foi considerada como a principal linha condutora da investigação. Esta opção levou a uma fragmentação deliberada da cidade em diferentes espaços: a Almedina, a Alcáçova, e os três arrabaldes, Ocidental, Oriental e dos Mouros. Esta divisão permitiu observar o modo como dinâmicas diversas moldaram a imagem da cidade, sem perder de vista a actuação destas forças na cidade como um todo. Deste modo, a estrutura deste trabalho reflecte o seu processo de análise, dividindo-se num prólogo seguido de cinco partes. No prólogo são abordados três aspectos de carácter global inseridos em dois momentos de transição: da antiguidade tardia para época medieval, e da época de domínio muçulmano para a de domínio cristão. Na primeira parte do trabalho estudam-se as mutações urbanas ocorridas no espaço compreendido pela cerca urbana. Na segunda parte observam-se os fenómenos de alteração da forma urbana na Alcáçova da cidade. Ao Arrabalde Ocidental foi dedicada a terceira parte deste trabalho, cuja dimensão textual, com um peso comparativamente maior do que as restantes, reflecte a relevância deste espaço. Os processos de mutação urbana do Arrabalde Oriental foram tratados na quarta parte. Na quinta e última parte foi estudada a evolução urbana do Arrabalde dos Mouros. Na conclusão procurou-se observar a cidade como um todo, identificando-se os processos globais que delinearam a imagem da cidade. Este estudo, baseado em diversas fontes de informação, permitiu observar que a urbe medieval não se restringia ao perímetro compreendido pela cerca urbana, pois, pelo menos desde a época de domínio islâmico, o seu centro económico e comercial já se centrava na parte ocidental da cidade. Foi também possível compreender a acção das diferentes instituições medievais na modelação da forma urbana, destacando-se a Coroa, o concelho e as instituições eclesiásticas. Esta dissertação revelou o papel definidor das dinâmicas urbanas ocorridas em época medieval e o modo como estas sustentaram os desenvolvimentos posteriores, em época moderna.
Cite
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Silva, M. F. (2022). Mutação urbana na Lisboa medieval: das taifas a D. Dinis. Mutação urbana na Lisboa medieval: das taifas a D. Dinis. Centro de História da Universidade de Lisboa. https://doi.org/10.51427/10451/56430
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