Abstract
O livro de Walter Mignolo é um daqueles livros que deixam marcas em nossa vida intelectual, pois nos descentra de nossas tradicionais visões sobre a ciência e o conhe-cimento, desnaturalizando e desconstruindo os cânones acadêmicos e, desse modo, re-velando como nossa formação está arraigada num imaginário marcado por uma coloni-zação intelectual eurocêntrica. O livro provoca inicialmente um certo desconforto, pois os argumentos questionam a naturalidade com a qual aceitamos a idéia de que determinadas teorias produzidas em determinados lugares geoistóricos e línguas (principalmente inglês, francês, e alemão, a partir da Europa e dos Estados Unidos) são superiores, «avançadas» e possuem um valor universal incontestável. Já outras teorias produzidas a partir de línguas e históri-as locais subaltemizadas (por exemplo, teorias produzidas na Bolívia, em espanhol, ou no Brasil, em Português) são olhadas com desconfiança e com «reservas» em relação a uma pretensa validade universal. Para Mignolo isso implica em perguntamos: será que as teorias têm o mesmo papel e significado no seu lugar de origem geoistórico e em outros lugares para onde mi-gram? Por que algumas teorias viajam e têm um alcance maior que outras? As respos-tas a essas perguntas estão na «colonialidade» do poder e na diferença colonial que configuram historicamente uma verdadeira geopolítica do conhecimento, onde teorizar, pensar, parece ser privilégio de poucos indivíduos «iluminados» que estão localizados em determinados lugares geohistóricos do globo.
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Cruz, V. D. C. (2010). Histórias locais/Projetos globais: Colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. GEOgraphia, 7(13). https://doi.org/10.22409/geographia2005.v7i13.a13506
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