O ensino de Farmácia

  • Estefan I
N/ACitations
Citations of this article
45Readers
Mendeley users who have this article in their library.

Abstract

INTRODUÇÃO Na história antiga e contemporânea da profissão de Farmá-cia temos testemunhado a dualidade na ênfase profissional so-bre os medicamentos, os produtos e o interesse comercial que lhe corresponde. Inúmeros estudos e publicações manifestam o conflito bem como o sinergismo provocados por esta duali-dade. Apesar das implicações teóricas e práticas das caracte-rísticas da Farmácia, é uma realidade o fato de que a profissão farmacêutica, mais que qualquer outra profissão da área da saúde, entrelaça interesses profissionais com interesses co-merciais. A profissão farmacêutica não é uma ilha em si mesma. A natureza de seu exercício está profundamente imbricada na malha de normas legais, infra-estrutura política, aspectos em-presariais e inter-relações profissionais. Assim, pode-se afir-mar que o exercício da Farmácia se processa em um entorno complexo, às vezes favorável, outras vezes hostil. Não obstante, a sobrevivência da profissão farmacêutica deriva de seu entorno, não de maneira distinta a dos modelos biológicos e físicos que descrevem a natureza de seu conteú-do. Assim, vemos hoje na Farmácia uma necessidade urgente de compreender e assimilar a essência de sua própria identida-de profissional bem como do entorno mais amplo de onde emana sua existência. Se de um lado necessitamos compreen-der essas variáveis para poder controlá-las, por outra parte, devemos ter pleno conhecimento dos fatores externos, ou seja, aquelas variáveis que não estão sob nosso controle e que de-sempenham um importante papel na configuração de nossa profissão. Esta compreensão nos situará em um contexto ade-quado e nos ajudará a planejar e compreender nosso futuro. Faz-se necessário, pois, buscar saber o que é a Farmácia, a quem serve, como o faz, e em que contexto. A Farmácia é um sistema de conhecimento que tem como característica fundamental o estudo dos medicamentos em to-dos os seus aspectos. Em 1966 Pourchet Campos 8 integra ao medicamento o alimento e o tóxico e conceitua Farmácia como sendo o "co-nhecimento amplo e pleno das substâncias que, direta ou in-diretamente, tem significado para a saúde". No estudo de Millis, PHARMACISTS FOR THE FUTURE 7 , a Farmácia é conceituada como um serviço de saúde, posto que a única razão para pesquisar, produzir, distribuir, prescrever e dispensar medicamentos é que através dos mes-mos se podem produzir efeitos benéficos na saúde da popula-ção, curando, prevenindo, controlando as doenças e reduzindo o sofrimento humano.

Cite

CITATION STYLE

APA

Estefan, I. J. S. (1986). O ensino de Farmácia. Cadernos de Saúde Pública, 2(4), 511–532. https://doi.org/10.1590/s0102-311x1986000400011

Register to see more suggestions

Mendeley helps you to discover research relevant for your work.

Already have an account?

Save time finding and organizing research with Mendeley

Sign up for free