Abstract
INTRODUÇÃO Na história antiga e contemporânea da profissão de Farmá-cia temos testemunhado a dualidade na ênfase profissional so-bre os medicamentos, os produtos e o interesse comercial que lhe corresponde. Inúmeros estudos e publicações manifestam o conflito bem como o sinergismo provocados por esta duali-dade. Apesar das implicações teóricas e práticas das caracte-rísticas da Farmácia, é uma realidade o fato de que a profissão farmacêutica, mais que qualquer outra profissão da área da saúde, entrelaça interesses profissionais com interesses co-merciais. A profissão farmacêutica não é uma ilha em si mesma. A natureza de seu exercício está profundamente imbricada na malha de normas legais, infra-estrutura política, aspectos em-presariais e inter-relações profissionais. Assim, pode-se afir-mar que o exercício da Farmácia se processa em um entorno complexo, às vezes favorável, outras vezes hostil. Não obstante, a sobrevivência da profissão farmacêutica deriva de seu entorno, não de maneira distinta a dos modelos biológicos e físicos que descrevem a natureza de seu conteú-do. Assim, vemos hoje na Farmácia uma necessidade urgente de compreender e assimilar a essência de sua própria identida-de profissional bem como do entorno mais amplo de onde emana sua existência. Se de um lado necessitamos compreen-der essas variáveis para poder controlá-las, por outra parte, devemos ter pleno conhecimento dos fatores externos, ou seja, aquelas variáveis que não estão sob nosso controle e que de-sempenham um importante papel na configuração de nossa profissão. Esta compreensão nos situará em um contexto ade-quado e nos ajudará a planejar e compreender nosso futuro. Faz-se necessário, pois, buscar saber o que é a Farmácia, a quem serve, como o faz, e em que contexto. A Farmácia é um sistema de conhecimento que tem como característica fundamental o estudo dos medicamentos em to-dos os seus aspectos. Em 1966 Pourchet Campos 8 integra ao medicamento o alimento e o tóxico e conceitua Farmácia como sendo o "co-nhecimento amplo e pleno das substâncias que, direta ou in-diretamente, tem significado para a saúde". No estudo de Millis, PHARMACISTS FOR THE FUTURE 7 , a Farmácia é conceituada como um serviço de saúde, posto que a única razão para pesquisar, produzir, distribuir, prescrever e dispensar medicamentos é que através dos mes-mos se podem produzir efeitos benéficos na saúde da popula-ção, curando, prevenindo, controlando as doenças e reduzindo o sofrimento humano.
Cite
CITATION STYLE
Estefan, I. J. S. (1986). O ensino de Farmácia. Cadernos de Saúde Pública, 2(4), 511–532. https://doi.org/10.1590/s0102-311x1986000400011
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.