Formação do artista no Brasil

  • Resende J
N/ACitations
Citations of this article
4Readers
Mendeley users who have this article in their library.

Abstract

A arte é sobretudo um modo de conhecimento. Como tal, seu relacionamento com o mercado é sem-pre difícil, truncado. O interesse do artista é aprofundar um processo de investigação intelectual. O do mercado é um objeto vendável. A proposta de integrar a arte na Universidade envolve, é claro, proble-mas de difícil solução. Mas pelo menos coloca o trabalho de arte na perspectiva correta e coloca os artistas numa situação mais produtiva: próximos dos seus companheiros que lidam com o conheci-mento e sua divulgação. A formação do artista contemporâneo deve ser definida a partir de um conceito preciso de seu papel na sociedade. Tal conceituação implica discutir o espaço ocupado, hoje, pela arte no corpo da cultura e, mais, implica verificar a relação, decorrente, entre o processo formativo do artista e sua real possibi-lidade de atuação. O lugar da arte, como está preconizado pelo sistema, tem sido circuns-crito recentemente pelo mercado, mantido e apoiado pelas elites sociais e econômicas do país, em busca de um bem que lhes confira status; comporta-mento tradicional, aliás, apesar da novidade deste mercado. Arte tem sido referida, ainda, pelo velho paternalismo do poder público, que encampa e insti-tui prestígio ao subsidiar manifestações e valores artísticos. De outro lado, sua atuação tem sido delimitada à margem do corpo da cultura, pelas próprias "elites" culturais -extensão, freqüentemente rala, das mesmas elites socioe-conômicas -, que conferem à manifestação artística um hermetismo e uma forma de conhecimento quase diletante pela sua inoperância no processo social. Na verdade, tanto a "Semana de 22" quanto as Bienais que lhe sucede-ram 30 anos depois, referências importantes para a arte brasileira, representam o comportamento cultural de uma mesma elite oligárquica que, embora modi-ficando padrões e introduzindo novas referências artísticas àquele momento, detém, ainda hoje, a visão ociosa da cultura que confere à arte o seu requinte e status superior e que pretende nacionais os critérios de sua escolha 1 . Embora referida desta maneira, arte, enquanto forma de pensamento, não tem merecido o aval desta mesma cultura no sentido da sistematização de seu conhecimento. Ê importante ressaltar que o acesso à sua linguagem tem-se feito, conservadoramente, através de uma visão que pressupõe o inatingível (a estética), o transcendental, o revelador (a ética), e é a posição de oráculo que lhe serve de pedestal, quando não o "funcionalismo decorativo", versão "moder-na" do mesmo conceito. Além de contemporaneamente atrelada às já óbvias questões do mercado, arte está sendo usada pelas novas áreas de expressão -comunicação, tv, propaganda -como atividade subsidiária -exercício "criativo"

Cite

CITATION STYLE

APA

Resende, J. (2005). Formação do artista no Brasil. ARS (São Paulo), 3(5), 22–29. https://doi.org/10.1590/s1678-53202005000100002

Register to see more suggestions

Mendeley helps you to discover research relevant for your work.

Already have an account?

Save time finding and organizing research with Mendeley

Sign up for free