Abstract
A obesidade é uma doença que já pode ser considerada uma pan-demia, pois atinge inúmeros países no mundo, com predominância em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Com fatores desen-cadeantes tanto metabólicos quanto psicossociais, vem apresentando crescimento alarmante devido, principalmente, à adoção recente de hábitos ocidentais, como ingestão de alimentos constituídos de grande quantidade de açúcares e gorduras e o sedentarismo. Estima-se que haja 1,7 bilhão de pessoas acima do peso em todo o mundo (Deitel, 2003) e a última pesquisa divulgada pela National Center for Health Statistics nos Estados Unidos mostra que 30% dos adultos norte-americanos acima de vinte anos são obesos (IOTF, 2006). Galvão (2006) relata, a partir de estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que 71% dos homens, 61% das mulheres e 33% das crianças estão acima do peso naquele país. Na Europa, o número de obesos está aumentando de modo preo-cupante; um em cada quatro homens é obeso e uma em cada três mulheres tem excesso de peso (Folha Online, 2006). No Brasil a situação não é diferente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE, 2004), em 2002 havia 40,6% de indivíduos com idade superior a vinte anos acima do peso e destes 11% eram obesos (cerca de 10,5 milhões de pessoas).A obesidade pode facilitar o surgimento de graves problemas de saúde e psicológicos e, além desses problemas, frequentemente o indivíduo obeso enfrenta difi culdades na acessibilidade e usabilidade de produtos e equipamentos desenvolvidos para a considerada faixa média da população.Menin et al. (2005), em seus estudos sobre antropometria de indivíduos obesos, comentam que os problemas de acessibilidade enfrentados por esses indivíduos têm levado empresários a inves-tirem no aperfeiçoamento de serviços e produtos e na geração de novas tecnologias. Apesar dessas iniciativas, Feeney (2002) alerta que as empresas não têm conhecimento sobre as características físicas e cognitivas desse público, como suas preferências, circunstâncias em que vi-vem e dados de seu estilo de vida, e desconhece os métodos para adquirir tais dados, o que impossibilita a produção de equipamentos adequados. Nesse contexto, os equipamentos médico-hospitalares merecem atenção especial, pois têm a fi nalidade de reabilitar o paciente. Car-doso (2001) alerta que a difusão da ergonomia hospitalar é ainda pequena e muito restrita à atividade do profi ssional que trabalha em hospitais. A autora ainda expõe que ambientes e equipamentos inadequados podem gerar custos humanos, causando desconforto e até acidentes. Desse modo, o presente capítulo pretende reunir informações sobre os problemas da obesidade e sua relação com a acessibili-dade e usabilidade de produtos, procurando apresentar e discu-tir os problemas de interface entre usuários obesos e os produtos médico-hospitalares.
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Paschoarelli, L. C., & Menezes, M. dos S. (2009). Design e ergonomia: aspectos tecnológicos. Design e ergonomia: aspectos tecnológicos. Editora UNESP. https://doi.org/10.7476/9788579830013
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