Abstract
Escutar as histéricas no seu esforço de falar com seu corpo levou Freud a lançar as bases da psicanálise. A feminilidade e o desejo da mulher são analisados por Freud e Lacan. O enigma da feminilidade e o trabalho psíquico envolvido no devir mulher são questões fundamentais aqui analisadas. A questão da especificidade do feminino constitui o ponto de partida da psicanálise e também o ponto de retorno constante à teoria freudiana. Foi em fins do século passado que Freud, tentando escutar a histérica, percebeu que talvez ela quisesse dizer alguma coisa com o seu corpo. E a histérica falou do amor, do desejo, do ódio e da culpa. Freud, impulsionado pelo desejo de saber o que seria específico do feminino e a relação entre a sexualidade e a etiologia da histeria, iniciou seu trabalho a partir da clínica. Foi pelas mãos de Freud que a histeria deixou de ser "doença" da mulher, tornando-se a possibilidade de uma relação humana "doentia" que submete uma pessoa a outra. O que é universal ? O que é específico à histeria ? Como se constitui o desejo masculino e feminino ? O que é a feminilidade ? A partir de Freud, a psicanálise tem lançado delicadas e esclarecedoras luzes neste imbricado de relações. Paradoxalmente, Freud escreveu pouco especificamente sobre a sexualidade feminina. Mas há em sua obra muito material referente a esta temática, disperso em seus textos sobre outros assuntos.Desde as primeiras cartas a W. Fliess, Freud tenta precisar a questão da feminilidade em abordagens sucessivas e diferentes. Escrevendo a Fliess (1897), sobre a teoria da repressão, Freud incluiu o seguinte comentário:
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Valdivia, O. B. (1997). Psicanálise e feminilidade: algumas considerações. Psicologia: Ciência e Profissão, 17(3), 20–27. https://doi.org/10.1590/s1414-98931997000300004
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