Contribuiçõa à Geologia do Maciço Alcalino de Poços de Caldas

  • Ellert R
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Abstract

O presente trabalho apresenta um estudo da geologia do maciço alcalino de Poços de Caldas. Pela sua área, que é da ordem de 800 quilômetros quadrados, é considerado um dos maiores complexos formados exclusivamente por rochas nefelinicas. Possui forma elíptica, com 35 km no sentido NE-SW e 30 km no sentido NW-SE e ainda um stock de foiaíto, com cêrca de 10 quilômetros quadrados. A W limita-se com a bacia sedimentar do Paraná e a E com os contrafortes da serra da Mantiqueira. O maciço está encaixado entre granito e gnaisse, que nos quadrantes SE e em menor escala no quadrante NW- foi afetado metassomàticamente pelo processo de fenitização, principalmente ao longo da direção de xistosidade. No quadrante NW o fenito é de cor cinza esverdeada e no quadrante SE sua côr é verm elha. O maciço é constituído principalmente por rochas nefelínicas, tinguaítos e foiaítos, mas possui em seu interior rochas anteriores à intrusão alcalina. São sedimentos e rochas vulcâ¬nicas formadas por tufos, brechas, aglomerados e lavas ankaratríticas. Os sedimentos acompanham o contacto com o gnaisse e afloram em maior extensão nas áreas W e S do complexo. A base do pacote sedimentar consta de camadas argilo-arenosas, com estratificação horizontal e o topo é formado por arenitos com estratificação cruzada. Acham-se perturbados e mergulham, no geral, para o interior do maciço. Sobre os sedimentos foram depositados brechas, tufos e lavas, v _ que formam uma faixa contínua no bordo N-W Nas brechas predominam fragmentos de sedimentos, gnaisse, diabásio e lavas. O cimento é rico em quartzo detrítico arredondado. Na diagênese, a ação de soluções hidrotermais é evidenciada pelo aparecimento de biotita autígena e um feltro de microcristais de aegerina e apatita. No cimento, a calcita secundária é muito comum, chegando a substituir parcial ou totalmente o quartzo. As lavas ankaratríticas, quase sempre em espéssos derrames, formam freqüentemente aglomerados. Vestígios de rochas vulcânicas são encontrados em quase todo o bordo interno, indicando que a atividade vulcânica abrangeu grande área. Após essa atividade vulcânica formaram-se fonólitos, tinguaítos e foiaítos, com freqüentes passagens de um tipo de rocha a outro. Os tinguaítos constituem a maior área do complexo e apresentam grande uniformidade. Em algumas áreas principalmente nas proximidades de Cascata afloram variedades com pseudo-leucita e analcita. Os foiaítos são intrusivos no tinguaíto, mas a “mise-en-place” provavelmente deu-se contemporáneamente, sugerida pela passagem, não raro, gradual de uma rocha a outra. Além dos vários tipos de foiaítos, equigranulares e traquitóides, afloram em pequena extensão lujaurito e chibinito. Para o mecanismo da intrusão é admitido o levantamento de blocos do embasamento cristalino que precedeu a atividade vulcânica. Durante ou após a atividade vulcânica deu-se o abatimento da parte central com formação de fendas radiais e circulares, que permitiram a subida do magma. A existência, mesmo no atual estágio de erosão, de pequenas áreas de material vulcânico perturbado pela intrusão, indica que o abatimento não foi total, tendo parte do teto servido de encaixante para a formação dos tinguaítos e diferenciação de foiaítos. Na periferia formou-se o grande dique anelar de tinguaíto, com mergulhos verticais ou quase verticais, de espessura variável, formando um anel quase completo. A dedução da forma geométrica da intrusão de tinguaítos da parte central do maciço é dificultada pela grande homogeneidade mineral e textural das rochas. O abatimento iniciou-se no centro, onde a intensidade dêste fenômeno deu-se em maior escala, sendo anterior à formação do dique anelar Evidenciando este fato, observamos no interior do dique numerosos xenólitos de rochas do interior do maciço. Finalizando os eventos magmáticos na região deu-se a intrusão dos foiaítos sob a forma de diques menores cortando o grande dique anelar A seqüência das intrusões parece ser do centro para a periferia, contrariando a observada na maioria das intrusões alcalinas. O planalto é formado de duas áreas geomorfològicamente distintas: a maior, com drenagem anelar e a menor, com relêvo entre juventude e maturidade, na qual predomina a drenagem radial. É provável que parte do sistema de drenagem obedeça às direções principais de diaclases. Após a atividade do magma alcalino ocorreram falhamentos em grande área, dos quais o principal formou o “graben*’ E-W que tangencia o bordo sul do complexo. Os recursos minerais são representados por jazidas de bauxita e de minerais zirconíferos como zircão, caldasita, baddeleyta, nos quais há teores variáveis de urânio e os depósitos de tório e terras raras. Os minerais zirconíferos e os de tório são formados a partir de fenômenos ligados a processos hidrotermais, que destruiram os minerais primários e possibilitaram a posterior precipitação em fendas

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Ellert, R. (1959). Contribuiçõa à Geologia do Maciço Alcalino de Poços de Caldas. Boletim Da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, Universidade de São Paulo. Geologia, (18), 5. https://doi.org/10.11606/issn.2526-3862.bffcluspgeologia.1959.121851

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