Sobre a sustentabilidade como fantasia liberal-capitalista: do tampão verde à ecologia sem natureza

  • Prado J
  • Da Fonseca Bueno V
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Abstract

O objetivo desta pesquisa é mapear os modos pelos quais os dispositivos midiáticos especializados em economia e negócios lidam com a tensão entre o discurso liberal-capitalista, que embasa seus contratos de comunicação, e a crise ambiental. A metodologia é a análise discursiva ancorada em Laclau e e Žižek. Para isso foram analisados 629 textos sobre meio ambiente publicados durante um ano nas revistas Exame, IstoÉ Dinheiro e Época Negócios. Foram mapeados os pontos nodais e examinadas as estratégias discursivas que costuram os discursos a partir deste pontos. A análise indicou que o discurso da sustentabilidade corporativa tornou-se a fantasia ideológica que ancora o capitalismo hegemônico; os enunciadores tamponam semioticamente o furo da crise ambiental, erigindo sobre ele os sentidos da sustentabilidade. Dessa forma os antagonismos ecologistas que poderiam ser ameaças ao contrato, não apenas são absorvidos, como passam a ser o ponto nodal  da ideologia neo-capitalista, com a promessa de que o crescimento econômico aponte a um futuro verde e limpo. This research examines the ways through which mediatic devices specialized in economics and business deal with the tension between the liberal capitalist discourse, which underpins its communication contracts, and the environmental crisis. To this end, 629 texts on the theme environment published over a 12-month period in the magazines Exame, IstoÉ Dinheiro and Época Negócios were analyzed. The research revealed that the discourse on corporate sustainability has become the ideological fantasy that supports hegemonic capitalism. Pundits are putting a semiotic cork on news about the environmental crisis, erecting upon it overtones of sustainability. Thus, ecologist antagonisms that could represent threats to the contract are not only absorbed but also become the nodal point of neo-capitalist ideology, with the promise that economic growth points to a green and clean future. The discourse theory employed in this analysis was based on Laclau, Mouffe and Žižek.El objetivo de esta pesquisa es mapear los modos por los cuales los dispositivos mediáticos especializados en economía y negocios lidian con la tensión entre el discurso liberal-capitalista, que fundamenta sus contratos de comunicación, y la crisis ambiental. La metodología es el análisis discursivo, a partir de Laclau y Žižek. Para ello fueron analizados 629 textos sobre medio ambiente publicados durante un año en las revistas Exame, IstoÉ Dinheiro y Época Negócios. Fueron mapeados los puntos nodales y examinadas las estrategias discursivas que atraviesan los discursos a partir de estos puntos. El análisis indicó que el discurso de sustentabilidad corporativa se tornó la fantasía ideológica que ancla el capitalismo hegemónico; los enunciadores taponan semióticamente el hueco de la crisis ambiental, erigiendo sobre él los sentidos de la sustentabilidad. De esta forma, los antagonismos ecologistas que podrían ser amenazas al contrato, no solo son absueltos, puesto que pasan a ser el punto nodal de la ideología neo-capitalista, sino que ofrecen la promesa de que el crecimiento económico apunte a un futuro verde y limpio.

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Prado, J. L. A., & Da Fonseca Bueno, V. P. (2015). Sobre a sustentabilidade como fantasia liberal-capitalista: do tampão verde à ecologia sem natureza. Revista FAMECOS, 22(3), 1–14. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2015.3.20552

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