Abstract
RESUMO Este trabalho apresenta uma aproximação a respeito das interações entre as características geomorfológicas, condicionantes geomórficas, diversidade de habitats e grau de conectividade de feições do sistema rio-planície fluvial do alto rio Paraná, no trecho entre Porto Primavera e Porto 18. Para tanto, foram observados os conceitos a respeito da dinâmica dos sistemas fluviais aluviais, conforme Leopold et al. (1964), Miall (1985), e de conectividade, conforme Sparks (1995), Ward & Stanford (1995-a; 1995-b) e Ward et al. (1999). Os dados hidrológicos foram obtidos por amostragens no campo, dados hidrológicos das estações fluviométricas próximas, interpretação de fotografias aéreas, perfis topo-batimétricos e revisão dos trabalhos enfocando esta região estudada. No alto rio Paraná, os resultados mostraram que a superposição dos sistemas fluviais relictos gerou uma grande diversidade de feições aluviais. As feições relictas presentes na planície fluvial se apresentam bastante estáveis, do ponto de vista da hidrodinâmica atual, com menor grau de conectividade com o rio Paraná, e sugerem predomínio de processos autogênicos. Na calha principal do rio, os ambientes com gênese no regime fluvial atual, são pouco estáveis, e isso sugere que processos alogênicos garantam maior dinamismo geomórfico e evolutivo, devido ao maior grau de conectividade. Palavras-chave: geomorfologia fluvial;planície de inundação; conectividade; rio Paraná. INTRODUÇÃO Sistemas rio-planície de inundação são sistemas dinâmicos. Esta dinâmica está condicionada às interações entre os seus subsistemas. Os ecossistemas da planície de inundação são também dependentes de perturbações naturais, confiando à energia cinética da inundação (dinâmica fluvial) a manutenção da conectividade. As condições hidrológicas e geomórficas interagem para determinar padrões e processos em variadas escalas (Ward & Stanford, 1995-b). Uma alteração nas condições de equilíbrio, devido à mudanças tectônicas ou no regime hidrológico, incluindo mudanças no aporte de sedimentos e água, pode resultar na alteração da planície de inundação e levar à degradação e formação de um terraço, ou por outro lado levar à agradação (Leopold et al., 1964). Sob condições de desequilíbrio no sistema, novas relações entre o trabalho do canal e a forma adequada para executá-lo será estabelecida com o decorrer do tempo, até que um novo estado de ajuste se estabeleça. Neste intervalo de tempo, o sistema temporariamente em desequilíbrio, percorrendo uma trajetória de readaptação, e o entendimento das relações entre processos e formas se complexam.
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Rocha, P. C. (2010). Geomorfologia e conectividade em ambientes fluviais do alto Rio Paraná, Centro-Sul do Brasil. Boletim de Geografia, 28(2). https://doi.org/10.4025/bolgeogr.v28i2.10382
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