Abstract
Afirmam-se o enraizamento e a influência das políticas de saúde pública brasileira no desenvolvimento socio-histórico da profissão terapia ocupacional. Para tanto, parte-se da trajetória histórico-política das duas áreas e suas institucionalizações, num percurso da filantropia e assistencialismo ao direito social, alcançado a partir do movimento de democratização do Brasil do final da década de 1980, que ampliou os direitos sociais para todos. Como um dos resultados deu-se a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê o atendimento para todos e, portanto, a inclusão de grupos populacionais até então assistidos prioritariamente nos serviços filantrópicos. Essa necessidade criou a demanda por profissionais até então escassos no sistema público, como terapeutas ocupacionais. Desde então, técnicos têm criado novos serviços e tecnologias de atenção e cuidado que possibilitaram a ainda precária inserção de determinados grupos no acesso ao sistema de saúde e, consequentemente, o desenvolvimento da categoria profissional em questão. Por esse percurso, afirmamos que, por meio do estabelecimento de políticas públicas que expandam o acesso aos direitos sociais dos grupos-alvo da terapia ocupacional, podem-se ampliar, como consequência, os espaços de intervenção profissional e o desenvolvimento da categoria. Por fim, apontam-se as dificuldades atuais em torno da ordem político-econômica vigente e o permanente desafio de ampliação da atenção e inclusão de grupos populacionais no acesso aos direitos sociais.
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Malfitano, A. P. S., & Ferreira, A. P. (2011). Saúde pública e terapia ocupacional: apontamentos sobre relações históricas e atuais. Revista de Terapia Ocupacional Da Universidade de São Paulo, 22(2). https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v22i2p102-109
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