Abstract
PERSPECTIVAS Artigo convidado INTERNACIONALIZAÇÃO DOS PERIÓDICOS BRASILEIROS Há uma vasta literatura que trata do processo de internacionalização de empresas, com modelos consolidados e que revelam os desafios enfrentados nos diferentes níveis de internacionalização dos negócios. No entanto, tratando-se de publicação acadêmica, poderíamos assumir ser um negócio, que se beneficiaria com esse conhecimento? A internacionalização dos periódicos acadêmicos na área de Administração do Brasil é recente. Se considerarmos que um dos requisitos principais para a internacionalização seja o uso de língua franca, no caso o inglês, a Brazilian Administration Review (BAR) é pioneira, por publicar, desde o seu primeiro número, em 2004, artigos somente em inglês, com foco claro em ser um periódico internacional. No editorial do primeiro número, Guimarães e Machado-da-Silva (2004) indicaram: "o principal motivo para trazer um jornal de língua inglesa editado por uma associação acadêmica brasileira é que há uma necessidade cada vez maior de levar nosso trabalho científico a um público mais amplo, o que inevitavelmente significa levá-lo a países onde o português não é a língua dominante". Com base nisso, assumimos que o uso da língua inglesa é um dos requisitos da internacionalização, considerando que a academia internacional se comunica nessa língua. Temos, nesse aspecto, um desafio ainda grande, pois não somos educados nessa língua, e a cobrança para o correto domínio do inglês no meio acadêmico restringe-se, na maioria das vezes, à leitura e compreensão de texto, não englobando a redação acadêmica. No entanto, esse não é o principal desafio para a internacionalização, embora seja uma barreira inicial para tal. Destaca-se que, mais do que para o domínio da língua inglesa, deve-se atentar para a qualidade dos artigos e a autoria de artigos em parcerias com autores estrangeiros, bem como para a necessidade de um corpo editorial diverso e ativo, como questões ainda mais desafiadoras no processo de internacionalização dos periódicos. Para competir no mercado editorial internacional, se estabelece a perspectiva de que o caminho para a internacionalização passa pela profissionalização editorial, em que um publisher (casa editorial) será responsável pelas partes operacional e gerencial, e a parte acadêmico-científica será responsabilidade de um corpo editorial diversificado e de excelente reputação acadêmico-científica. Por exemplo, podemos mencionar a Revista de Administração da Universidade de São Paulo (RAUSP), também agora denominada Management Journal, que, no esforço de internacionalização, conta atualmente com os serviços da Elsevier. Usualmente, no exterior, os periódicos pertencem a um publisher, e não a um programa de pós-graduação, como é o caso do Brasil. Aqui, praticamente todos os programas de pós-graduação possuem um periódico, o que leva a um número extenso, mas não necessariamente de qualidade, entre os quais poucos conseguirão ter sucesso no processo de internacionalização. "Essa grande quantidade de revistas talvez cause efeitos de dispersão e de nivelamento por baixo da qualidade dos artigos científicos publicados em periódicos brasileiros", disse Isabelle Reiss, gerente de contas da divisão de pesquisa científica da Thomson Reuters para a América do Sul. Segundo ela, uma menor quantidade de
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FARIAS, S. A. D. (2017). INTERNACIONALIZAÇÃO DOS PERIÓDICOS BRASILEIROS. Revista de Administração de Empresas, 57(4), 401–404. https://doi.org/10.1590/s0034-759020170409
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