Abstract
A investigação narrativa tem por especificidade buscar compreender o vivido mobilizando as narrativas da experiência “em primeira pessoa”. Os princípios que fundamentam sua pertinência são os seguintes: apreensão e compreensão dos processos de edificação dos “pontos de vista” que emergem das situações experimentadas pelas pessoas implicadas na investigação, supondo acompanhar duas passagens: da experiência à linguagem – ou a expressão pelas palavras do vivido – e a configuração das palavras em textos – ou a narração. A afirmação da necessidade de um acompanhamento desses processos provém do seguinte postulado: o início da pesquisa supõe conduzir a si mesmo em direção a um trabalho de apreensão do vivido segundo diferentes escalas temporais a partir das quais pode se chegar à narração da experiência. Assim, buscando a expressão do vivido “em primeira pessoa”, o investigador (que pode ser um pesquisador, um formador, um conselheiro de orientação profissional) não solicita ao outro a informação sobre o que foi vivido. Ele mobiliza os procedimentos de orientação, cujo o efeito é o de favorecer “a entrada na investigação” dos sujeitos com os quais ele pesquisa e trabalha, o que leva a considerar que a investigação narrativa é uma forma de pesquisa “necessariamente em primeira pessoa”, pois somente a pessoa que vive a experiência de um fenômeno encontra-se capaz de dizer, a partir do seu ponto de vista e com as suas próprias palavras, sobre o que ela viveu, os efeitos que ela experienciou e os impactos experienciais e biográficos sofridos.
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Breton, H. (2020). Investigação narrativa: entre detalhes e duração. Revista Educação, Pesquisa e Inclusão, 1(1), 12. https://doi.org/10.18227/2675-3294repi.v1i1.6255
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