Abstract
Rafael Alcadipani " Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes; eis tudo. Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres " . Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) Maria Ceci Misoczky e Jackeline Amantino de Andrade nos brindam com um texto extremamente contestador. Fato comum nos artigos que levam as suas assinaturas e coisa rara em nossa academia cada vez mais " McDonaldizada " . Como pudemos notar, o artigo (des)qualifica o movimento dos Critical Management Studies (CMS), em sua pretensa vertente Européia, como pragmático e dócil. Tal fato, segundo as autoras, não se repetiria na crítica realizada no contexto dos Estados Unidos. Além disso, para uma perspectiva adequada ao Brasil, as autoras argumentam que o correto seria realizar estudos críticos fundamentados em uma visão materialista e negativa, mais condizentes, segundo elas, com as peculiaridades da América Latina. O meu objetivo neste diálogo é tentar contar uma outra versão dos fatos apresentados pelas autoras, sem nenhuma pretensão de ser mais verdadeira do que a delas, e defender a pluralidade de análises críticas no contexto brasileiro. Os CMS estão longe de ser simples, coerentes e unificados, pois estão fundamentados em diversas tradições intelectuais (FOURNIER; GREY, 2002; GREY; WILLMOTT, 2002) que possuem muitos pressupostos divergentes uns dos outros. Aliás, Adler (2002, p. 388) afirma: " too few of us would ever be able to agree on anything much " . A pluralidade de análises está presente tanto desde a primeira conferencia realizada na Inglaterra, em 1999 quanto no grupo pioneiro que se reuniu na Academy of Management nos Estados Unidos em 1998. Por isso, o manifesto (1) do movimento deixa patente que o termo crítico não se refere a um comprometimento específico com alguma das tradições de análise que fazem parte dos CMS, tal como a Escola de Frankfurt, mas sim a um amplo conjunto de abordagens teóricas que possam ajudar a compreender o caráter opressivo da administração e sugerir diferentes caminhos. Evidentemente, é possível questionar se o termo em questão é apropriado para a finalidade que se propõe, também é possível discutir a pertinência de unificar tradições com fundamentos e epistemologias tão diferentes dentro de uma mesma designação, mas não se pode negar que o termo está claramente definido.
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Alcadipani, R. (2005). Réplica: a singularização do plural. Revista de Administração Contemporânea, 9(1), 211–220. https://doi.org/10.1590/s1415-65552005000100011
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