Abstract
Controvérsias sobre a prática de psicoterapias alternativas por psicólogos vêm provocando inúmeros debates. Estas práticas são criativamente estudadas por meio de entrevistas com terapeutas e clientes a respeito de suas experiências. As questões sobre a eficiência e eficácia das terapêuticas convencionais e alternativas são discutidas, considerando-se os aspectos metodológicos e as implicações epistemológicas dos estudos. O número de pessoas que praticam terapias ditas alternativas e de "centros de terapias alternativas" é consideravelmente grande, e tende a aumentar, bem como suas clientelas. Como exemplo destas técnicas pode-se mencionar: "Cromoterapia", "Florais de Bach", "Terapia de Regressão a Vidas Passadas" (TRVP), e "Psicologia Transpessoal". Em Cursos de Psicologia encontram-se muitos estudantes que são admiradores destas terapias, alguns que já são praticantes e outros que pretendem dedicar-se a essas atividades. Um indicativo desta tendência é o grande número de cartazes anunciando cursos, encontros e serviços nos corredores de nossas universidades, próximo aos cursos de psicologia. Sobre as terapias alternativas, seus praticantes, seus clientes e sua proliferação, não há dados estatísticos disponíveis e tampouco há conhecimento sobre a sua eficiência. Entende-se por eficiência a indicação ou especificação da natureza do benefício obtido por pessoas que se submentem a esses tratamentos (Gomes, Reck, & Ganzo, 1988). Marques (1994) interpretou o movimento das práticas alternativas como tratando-se de efeito da pós-modernidade e das mudanças mundiais na Psicologia. Em seu estudo, emergiram como categorias a mudança de paradigma e a psicologia transpessoal, que reúne alguns dos estudos e investigações relacionados às práticas alternativas. Sabe-se que o campo da Psicologia caracteriza-se pela ausência de um vocabulário comum e de um consenso sobre seus princípios básicos, além de haver um grande número de escolas com propósitos distintos (Omer & Strenger, 1992). Se tal dificuldade em se traçar padrões dentro do campo da Psicologia estende-se à psicoterapia convencional, mais complicado ainda será fazê-lo com as terapias alternativas. Entende-se que as teorias na área da Psicologia tidas por científicas são aquelas que incorporam, com uma ou outra variação, preceitos de uma lógica empírica-racional na construção de seus aparatos teóricos e subsistem submetendo esses aparatos a avaliações que permitam demarcar seu escopo (Tourinho & Carvalho, 1995). Incluem-se nesse grupo as teorias do campo da Psicologia que, sem corresponder necessaria-mente a um modelo de ciência natural, deram origem a práticas de investigação, produção e validação de conhecimento que podem ser consideradas científicas. As práticas alternati-vas são contempladas, neste sentido, como alternativas à Psicologia na medida em que pretendem dar conta de problemas tradicio-nalmente reservados à disciplina psicológica,
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Gauer, G., Souza, M. L. de, Molin, F. D., & Gomes, W. B. (1997). Terapias alternativas: uma questão contemporânea em psicologia. Psicologia: Ciência e Profissão, 17(2), 21–32. https://doi.org/10.1590/s1414-98931997000200004
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