Até quando o Brasil será conhecido como o país da cesárea?

  • Marcolin A
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Talvez a Obstetrícia seja a especialidade médica que mais se desenvolveu nos últimos 200 anos. A incorporação de grandes avanços científicos mudou completamente o panorama obstétrico e reduziu drasticamente a morbimortalidade materna e perinatal. Dentro desse contexto, a cesárea (CS) deixou de ser a forma de resolução da gestação utilizada apenas " na última hora " , como tentativa de salvaguardar a vida da mãe ou do feto, para se tornar, em algumas situações de alto risco gestacional, a melhor opção de parto para o binômio. Como o procedimento foi se tornando mais seguro ao longo do tempo, os obstetras não tinham mais argumentos para retardar a indicação de resolução da gestação por via alta em situações de risco materno e/ou fetal. Adicionalmente, questões religiosas, a urbanização das populações, a valorização do feto após o advento do exame ecográfico e a hospitalização do parto colaboraram para o incremento mundial do número de CSs 1 . A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, em 1985, que nenhuma região deve ter taxas de CS superiores a 15% 2 . Estudos que avaliaram a morbimortalidade materna e perinatal em pacientes submetidas à CS não encontraram reduções nesses indicadores quando as taxas foram superiores a 15% 3 . Por outro lado, as taxas mínimas recomendadas de CS necessárias para evitar a morbimortalidade materna e neonatal devem ser de 5 e 10%, res-pectivamente 4,5 . No entanto, esse objetivo não parece ser muito exequível, tanto em países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento. Em 2012, Gibbons et al. publicaram dados de uma pesquisa referente aos partos rea-lizados em 137 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), representando mais de 95% do número mundial de nascimentos no ano de 2008 6

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Marcolin, A. C. (2014). Até quando o Brasil será conhecido como o país da cesárea? Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 36(7), 283–289. https://doi.org/10.1590/so100-720320140005087

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