Abstract
Os 'caboclos' da Amazônia brasileira estão classificados variavelmente como camponeses, extratores, povo rústico e descendentes miscigenados de europeus, indígenas e africanos. Em quase todos os usos se reconhece um tom pejorativo e raramente usado para chamar uma pessoa do mesmo nível social. As poucas pessoas que se identificam como 'caboclo' usam a palavra para referir-se a si mesmos, a não ser em condições especiais. Aceita-se que uma das finalidades das ciências sociais, particularmente a antropologia, é entender todas as culturas no mesmo nível e dar-lhes a mesma integridade que damos a nossa. Por que, então, insistimos em usar este termo? Esta pesquisa examina esta dúvida através da discussão sobre a representação e o uso de autoridade na documentação etnográficaAmazon caboclos have been variously described as peasants, forest extractors, backwoodsmen, and descendants of mixed European, Indian, and African ancestry. In nearly all definitions it is acknowledged that the term is pejorative and seldom used when addressing an equal. Many within the subculture do not use it to refer to themselves, while those who do label themselves as such do so under special circumstances. If one accepts that a political/ethical goal of social science - particularly of anthropology - is to understand cultures on an equal basis and to provide as much integrity to them as we do our own, then why do we insist on using the term? This paper examines this quandary by discussing representation and uses of authority in ethnographic writing
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Pace, R. (2006). Abuso científico do termo “caboclo”? Dúvidas de representação e autoridade. Boletim Do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 1(3), 79–92. https://doi.org/10.1590/s1981-81222006000300004
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