Abstract
A construção e manipulação espacial de imagens corporais têm origem basicamente visual e somato-motora. No entanto, a contribuição relativa de cada modalidade sensorial nos processos de simulação mental pode variar. Sirigu e Duhamel (2001) propuseram que a estratégia utilizada durante a simulação mental de movimentos produziria a ativação de circuitos neurais distintos. Neste estudo, investigamos o efeito da estratégia adotada na simulação mental de uma tarefa motora que envolve ajustes posturais utilizando as técnicas de cronometria mental e de estabilometria. Os voluntários, posicionados sobre uma plataforma de força vertical com os pés unidos e os olhos fechados, foram solicitados a realizar as seguintes tarefas: a) manter a postura ereta normal durante 20 segundos; b) contar mentalmente de um a 15; c) imaginar-se realizando o movimento de flexão plantar bilateral 15 vezes e d) executar o mesmo movimento por 15 vezes. Ao final do teste, relataram qual a estratégia utilizada para a realização da simulação mental. Com base no relato verbal foram então distinguidos em dois grupos: visuais e somato-motores. A análise da cronometria mental mostrou que o tempo utilizado para simular mentalmente os movimentos de flexão plantar não foi diferente daquele gasto durante a sua execução. Diferiu, porém, da condição contar para ambos os grupos. Para a análise estabilométrica, calculou-se um índice de simulação mental (ISM). Dos valores obtidos durante o imaginar, foram subtraídos os valores da condição contar, dividindo-se então a resultante pela soma dos dois. O grupo somato-motor apresentou índices positivos e significativamente diferentes do grupo visual para a área elíptica de deslocamento e amplitude de deslocamento no eixo ântero-posterior (y). Esses dados indicam um menor bloqueio da saída motora durante o imaginar de um movimento que envolve ajustes posturais no primeiro grupo. Essa diferença sugere que circuitos corticais e sub-corticais distintos serão ativados em função da estratégia adotada para simular mentalmente o movimento.Recent studies have proposed that the mental rotation of body parts can be accomplished by calling upon visual and somatomotor resources which, at a functional level, would correspond to different routes toward a single solution [1]. In this study, we investigated the effect of somato-motor and visual strategies upon the mental simulation of a task that involved postural adjustments. Subjects were asked to stand up on a vertical force platform and instructed either to 1) rest during 20 s (ST), 2) count mentally from 1 to 15 (CO), 3) imagine themselves executing a bilateral plantar flexion 15 times (IM), and 4) execute the same movement 15 times (EX). They were further classified as visual or somato-motor dominant, according to the strategy reported as adopted to perform IM. Mental chronometry showed that mean time spent in IM matched that of EX, differing from CO for both groups. Index of stabilometric modulation during IM was computed by reference to CO. Higher index values for area and amplitude of displacement in the antero posterior (y) axis were found for the somato-motor as compared to the visual group. The stabilometric departure found for visual and somato-motor dominant subjects suggests that each imagery mode activates a distinct subset of cortical and subcortical brain networks.
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Rodrigues, E. C., Imbiriba, L. A., Leite, G. R., Magalhães, J., Volchan, E., & Vargas, C. D. (2003). Efeito da estratégia de simulação mental sobre o controle postural. Revista Brasileira de Psiquiatria, 25(suppl 2), 33–35. https://doi.org/10.1590/s1516-44462003000600008
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