Abstract
A METODOLOGIA DAS ciências sociais apresenta algumas dificuldades que não são exclusivas de determinadas correntes, mas estão presentes em todas elas, sejam analíticas, hermenêuticas ou dialéticas. Estas patologi-as metodológicas são o ecletismo,o reducionismo e o dualismo. Uma solução para tais dificuldades será a adoção ao pluralismo metodológico. Max Weber tornou-se o ancestral clássico desta posição ao situar a investigação científica das ações huma-nas entre o positivismo e o historicismo do seu tempo, criticando, deste modo, as posturas exclusivas e restritivas ao desenvolvimento das ciências sociais e adotan-do um kantiano Mittelweg. Kaufmann dará continuidade a esta postura metodológica, situando a meio caminho entre o empirismo lógico do Círculo Viena e a fenomenologia de Husserl a possibilidade da ciência da sociedade e, mais tarde, em 1944, em um segundo livro de mesmo título, Metodologia das Ciências Sociais, acrescentando ao seu arsenal metodológico o pragmatismo nor-te-americano. Recentemente, Apel retomou o programa weberiano, desta vez, incorporando ao debate e ao diálogo metodológicos a hermenêutica heideggeriana, a filosofia da linguagem wittgensteiniana e o pragmatismo de Peirce em um cená-rio clássico de filosofia transcendental alemã. O ecletismo como patologia metodológica pode ser definido pelo uso de conceitos fora dos seus respectivos esquemas conceituais e sistemas teóricos, alte-rando os seus significados. A ocorrência do termo sem definição que reduzisse ou eliminasse a sua ambigüidade, não permitiria saber a qual de vários conceitos possíveis está associado. Inadvertidamente, muitas vezes, utiliza-se o sinal que expressa o conceito, mas não o próprio conceito. O discurso torna-se vazio ou obscuro sem que o cientista social perceba que a sua linguagem pode dificultar a comunicação. Se tal ocorrência é grave ao nível da teoria, será gravíssima em nível metateóríco ou meta-sociológico. Neste caso os conceitos metodológicos desprovidos de suas características limitar-se-ão a nomeações e classificações ri-tuais de posturas sem qualquer influência nas estratégias de investigação, o que é comum em textos produzidos por autores desprovidos de treinamento metateórico. Termos vazios de significado não podem funcionar como instrumental de recons-trução teórica ou metodológica. Esta é uma caracterização, diremos que, formal do ecletismo.
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Oliveira Filho, J. J. de. (1995). Patologia e regras metodológicas. Estudos Avançados, 9(23), 263–268. https://doi.org/10.1590/s0103-40141995000100017
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