Abstract
Hélio Silva-Penso na expressão de Malinowski, "limites e alcance". E penso ainda que nossa conversa bem poderia orbitar em torno de uma questão: quais os limites e alcance da etnografia hoje? Dizendo isso, lembro de seu livro, O rigor da indisciplina, publicado em um momento em que havia certa efervescência em torno da questão. Luiz Soares-Alguns capítulos, alguns dos textos e artigos foram reeditados no meu livro Legalidade Libertaria, em 2006, mas alguns apenas. Justamente para que eles pudessem se manter acessíveis, porque pessoas me pedem e eu não tenho em versão digital, na época não havia, pelo menos não entre nós. Eu gosto daqueles dois livros-Os Dois Corpos do Presidente e O Rigor da Indisciplina-eles são quase que um esforço único, por distinções internas, mas se complementam de alguma maneira. Os temas são variados, e eles-em perspectiva-estão presentes para mim até hoje. Continuo vivendo aqueles impasses e, ainda, esgrimindo com aqueles argumentos ou contra-argumentos. Mas são muito amplos. Eu acho que, se a nossa questão mais específica é a etnografia, há alguns textos que mereceriam atenção, particularmente "Trotsky e Travesti". Não sei se faz justiça ao seu trabalho, Hélio, mas o toma como referência. Seu trabalho mostrava como certas estratégias narrativas, alguns recursos formais da linguagem, na composição do relato, são símiles invertidos e críticos de discursos que substituem o raciocínio pela verossimilhança. Na sequência, comparo sua etnografia-Travesti: a invenção do feminino-com algumas passagens da história da revolução russa, de Trotsky, especialmente aquele trecho extraordinariamente importante em que a revolução eclode e a obra descreve a emergência desse evento que marca a história do século. Um evento evidentemente nuclear para sua obra escrita e para sua vida. Trotsky, ou melhor, sua voz narrativa descreve fatos que se sucedem e movimentos de protagonistas de tal modo que a sequência de ações, de personagens distintos em cenários diversos convergem para o clímax que é a explosão revolucionária. Há ali um virtuosismo de Trotsky, ou da voz autoral. Ele era um senhor
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R.S. Silva, H. (2015). Entrevista com Luiz Eduardo Soares. ILUMINURAS, 16(38). https://doi.org/10.22456/1984-1191.57446
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