Os Avá-Canoeiro do Araguaia e o tempo do cativeiro

  • Rodrigues P
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Abstract

Depois de décadas de massacres e fuga dos colonizadores em condições desumanas, um grupo de dez sobreviventes dos Avá-Canoeiro do Araguaia foi capturado por uma violenta Frente de Atração da FUNAI em 1973 e 1974. Dois anos depois, com o grupo reduzido à metade, os Avá-Canoeiro foram transferidos compulsoriamente para a aldeiaCanoanã, dos Javaé, com quem disputaram um mesmo território por mais de cem anos, em um contexto de enfrentamentos e inúmeras mortes recíprocas. Embora tenham sido aprisionados por agentes do Estado, os Avá-Canoeiro foram recebidos por seus antigos adversários como perdedores de guerra e incorporados a uma posição subalterna de inferioridade social, sofrendo desde então severa marginalização socioeconômica, política e cultural nas aldeias javaé.Depois de 40 anos do traumático evento da captura, os atuais 21 Avá-Canoeiro ainda residem na “aldeia dos inimigos” como cativos de guerra, à espera do retorno a uma terra própria. A precipitada ação estatal beneficiou unicamente o interesse dos grandes grupos econômicos que se instalaram nas terras ocupadas tradicionalmente pelos dois grupos indígenas. Apesar de todo o histórico de opressão, os Avá-Canoeiro têm demonstrado uma extraordinária capacidade de resiliência física e cultural.After decades of brutal massacres and flights from colonizers, a group of ten Avá-Canoeiro survivors living on the Araguaia River was violently captured by a FUNAI team of “pacifiers” in 1973 and 1974. Two years later, reduced to half that number, they were transferred by force to the Canoanã village of the Javaé with whom they had engaged in war over land for more than a century with many casualties on both sides. Imprisoned by state agents, the Avá-Canoeiro were received by their former enemies as war prisoners and placed at a subaltern position in the Javaé villages where they have suffered severe socioeconomic, political, and cultural marginalization. Forty years after their traumatic capture, the Avá-Canoeiro, now numbering twenty-one, still live at the “enemies’ village” as war captives waiting to return to their own land. The hasty state operation had as sole beneficiaries the large economic groups that had taken over the lands traditionally occupied by both indigenous groups. Despite their dreadful history of oppression, the Avá-Canoeiro have shown an extraordinary physical and cultural resilience.

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Rodrigues, P. de M. (2015). Os Avá-Canoeiro do Araguaia e o tempo do cativeiro. Anuário Antropológico, v.38 n.1, 83–137. https://doi.org/10.4000/aa.402

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