Abstract
Este trabalho visa apresentar uma análise etnográfica da participação de um segmento do movimento negro da cidade de Ilhéus, situada no sul do estado da Bahia, Brasil, nas eleições municipais de 1992 e 1996. Os eventos narrados são relacionados entre si, bem como com alguns fatos anteriores e, principalmente, com acontecimentos que chegam até 1999. A partir daí, procura-se desenvolver uma perspectiva mais geral a respeito da participação dos “eleitores” no chamado processo democrático dos modernos estados-nação, explorando tanto fenômenos como as “promessas eleitorais” e a “compra de votos”, quanto conceitos como reciprocidade e subjetividade. Pretende-se, assim delinear uma abordagem mais geral, elaborando os esboços de uma verdadeira “teoria etnográfica da democracia”.This paper aims to present an ethnographic account of the political participation of the black movement of Ilhéus (southern Bahia, Brazil) in the local elections of 1992 and 1996. The events narrated here are related to some previous ones, and especially to events presently ongoing. From these events, a more general perspective is drawn that tries to understand the broad “participation” of “electors” in the socalled democratic process of the modern nation-state. To do so, the paper explores practices such as, “electoral promises” and the commercialisation of votes, as well as the concepts of reciprocity and subjectivity. Finally, it begins to sketch out an “ethnographic theory of democracy”.
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Goldman, M. (2022). Uma teoria etnográfica da democracia: a política do ponto de vista do movimento negro de Ilhéus, Bahia, Brasil. Etnografica, 4 (2), 311–332. https://doi.org/10.4000/etnografica.2767
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