Campos do pós-abolição: identidades laborais e experiência "negra" entre os trabalhadores do café no Rio de Janeiro (1931-1964)

  • Cicalo A
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Este artigo explora se e como sinais de uma experiência afro-brasileira vieram à tona durante a existência do SCEC, um sindicato de carregadores e ensacadores de café que prosperou no porto do Rio de Janeiro entre 1931 e 1964 Apesar da forte presença de trabalhadores afrodescendentes no SCEC, o legado negro estava em grande parte ausente do discurso oficial do sindicato, que, em vez disso, colocava a ênfase na classe, no nacionalismo e em outros valores não relacionados à cor. Esse fato não está completamente desconectado do contexto sociopolítico do Brasil naquela época, dominado pelo sistema do trabalhismo e pela ideologia da democracia racial. No entanto, saliento que marcadores de um "campo negro" não eram completamente estranhos ao SCEC. Eles ainda sobrevivem nas memórias dos ensacadores e estão refletidos nos padrões raciais que tradicionalmente caracterizaram o cais do porto do Rio de Janeiro.This article explores whether and how signs of an Afro-Brazilian experience surfaced during the life of SCEC, a trade union of coffee carriers and packers (carregadores e ensacadores de café) that flourished in the port of Rio de Janeiro between 1931 and 1964. In spite of the large presence of Afro-descendant workers at SCEC, black legacy was largely absent in the official discourse of the trade union, which gave emphasis instead to class, nationalism and other color-blind values. This fact is not completely disconnected from the socio-political context of Brazil in that epoch, dominated by the system of labor politics (trabalhismo) and the ideology of racial democracy. However, I point out that markers of a 'black field' were not completely alien to SCEC. They still survive in the memories of ensacadores, and are reflected in the racial patterns that have traditionally characterized the docklands of Rio de Janeiro.

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Cicalo, A. (2015). Campos do pós-abolição: identidades laborais e experiência “negra” entre os trabalhadores do café no Rio de Janeiro (1931-1964). Revista Brasileira de História, 35(69), 101–130. https://doi.org/10.1590/1806-93472015v35n69006

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