Abstract
Emprego de psicofármacos Brasil HHA pêutico, só usados quando esgotados os demais. Os psicofármacos não são panacéias, mas um recurso de primeira ordem em mui-tos casos, complementares em outros e, sem dúvida, totalmente inúteis em outros. É preciso conhecê-los, assim como aos de-mais procedimentos terapêuticos que têm demonstrado ou vêm demonstrando sua eficácia relativa e seus riscos e efeitos secun-dários-porque todos os têm. 3 Para Trallero, 2 a multicausalidade dos transtornos, a complexidade dos sintomas e a influência das interações psicossociais exigem que "na imensa maioria de au-tênticos transtornos mentais na infância e adolescência os trata-mentos devem ser mistos, envolvendo intervenções farmacoló-gicas, psicoterápicas e psicossociais" (p.18). Portanto, o uso da medicação não deve constituir "o tratamento da criança" mas sim fazer parte de um plano mais amplo em que outros tipos de intervenções também sejam incluídas. No tratamento psicofarmacológico, é importante não buscar objetivos gerais, mas específicos, de acordo com o sintoma-alvo. Isso possibilita melhor controle da eficácia da medicação, con-trole do tempo de tratamento e a individualização do mesmo para cada criança. Além disso, permite explicar à família o que esperar do tratamento farmacológico. Ou seja, esclarecer que a medicação é sintomática, que nem sempre vai resolver o proble-ma de base (p. ex. na psicose infantil e no autismo), mas que seu uso pode melhorar a qualidade de vida da criança e dos familia-res. Também é importante explicar aos pais ou responsáveis que cada medicação requer um determinado período de tempo para agir (podendo levar mais de uma semana para começar a fazer efeito) e que não se deve interromper abruptamente o uso de determinadas drogas. Informações simples podem favorecer a adesão da família e da criança ao tratamento, tornando-os me-lhores informantes da atuação e dos efeitos do medicamento. Por sua vez, o clínico tem que julgar se a família (e especialmen-te o adolescente) é suficientemente esclarecida e responsável para o cumprimento de determinadas normas e cuidados neces-sários, por exemplo no controle clínico do lítio. Como procedi-mento inicial, queixas somáticas, esteriotipias, maneirismos e tiques devem ser registrados para não serem confundidos, pos-teriormente, com efeitos colaterais ou adversos. O uso concomitante de vários psicotrópicos, seja para potencializar efeitos, pela presença de comorbidades ou de ou-tras condições médicas associadas, tem sido freqüente. 4 O maior conhecimento do metabolismo dos psicotrópicos tem fornecido dados mais consistentes sobre interações medicamentosas, prin-cipalmente das drogas metabolizadas por isoenzimas do citocromo P450 (CYPs). Com base nesses conhecimentos re-centes, o uso concomitante de medicamentos tem gerado preo-cupação tanto pela possibilidade de diminuírem a ação das dro-gas envolvidas, quanto pelo potencial de causarem toxicidade. Em crianças e adolescentes, a associação de psicofármacos en-tre si ou com medicamentos para problemas clínicos (p. ex. acne, candidíase, problemas de vias aéreas superiores, entre outros) re-quer cautela. Benzodiazepínicos (alprazolam ou clonazepan), quan-do associados à eritromicina oral (usada em infecções cutâneas) ou ao cetoconazol oral (medicação usada na candidíase ou outras infecções micóticas), têm seus metabolismos alterados, pois a eritromicina e o cetoconazol são dois potentes inibidores do CYP3A. O lorazepam não é metabolizado via CYP e deve ser a opção de escolha nessas situações. A claritromicina, antibiótico usado no tratamento de infecções de vias aéreas superiores e de outros tipos de infecções, é um potente inibidor do CYP3A e, se usado com determinados neurolépticos (risperidona, pimozide, haloperidol), pode levá-los a níveis tóxicos. 4 Por sua vez, durante a pré-puberdade, a atividade dos CYPs atinge sua maior eficiência, para diminuir após a puberdade para níveis encontrados nos adultos. Isso talvez explique a ne-cessidade de doses proporcionalmente mais altas (relação dose/ kg) para drogas metabolizadas pelos CYPs (p. ex., antidepres-sivos tricíclicos, valproato de sódio, carbamazepina, pimozide) nos pré-púberes em relação aos adultos. 4 Os seguintes endereços na Internet oferecem dados sempre atualizados sobre CYPs: 4 •
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Brasil, H. H. A. (2000). Princípios gerais do emprego de psicofármacos. Revista Brasileira de Psiquiatria, 22(suppl 2), 40–41. https://doi.org/10.1590/s1516-44462000000600011
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