Vida de mulher: gênero, pobreza, saúde mental e resiliência

  • Verusca Couto O
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Abstract

Este trabalho consistiu em um estudo exploratório das interações entre gênero, pobreza, saúde mental e resiliência. Os objetivos específicos foram: 1) conhecer dimensões das experiências de vida de mulheres pobres, a partir de seu ponto-de-vista; 2) identificar fatores de risco para o adoecimento mental; 3) identificar fatores de proteção; e 4) identificar estratégias de enfrentamento indicadoras de resiliência, ou seja, relacionadas à manutenção da saúde psíquica em contextos adversos. Participaram deste estudo de caso múltiplo 5 mulheres pobres residentes em uma das comunidades mais carentes do Distrito Federal. A coleta de dados foi feita por meio de entrevista semi-estruturada. As entrevistas foram gravadas, transcritas e submetidas à análise de conteúdo. Categorias e temas serviram de base para as reflexões geradas. O cotidiano de mulheres pobres é permeado por dificuldades que afetam todas as áreas de sua vida. A pobreza, a sobrecarga de trabalho e a violência foram identificadas como os principais fatores de risco para a saúde física e mental das 5 mulheres pobres entrevistadas neste estudo. Neste contexto identificamos a presença de alguns sintomas depressivos e de ansiedade, tais como choro constante, angústia e medo, relacionados aos fatores de risco. Dentre os fatores de proteção destacaram-se as redes de apoio dentro da família e no meio social, a espiritualidade e a atitude positiva diante da vida. As estratégias de enfrentamento utilizadas pelas mulheres são desdobramentos destes fatores de proteção. Assim, a construção e o acesso de redes sociais de apoio, a busca da espiritualidade e uma atitude positiva diante das adversidades constituíram importantes estratégias de enfrentamento. A interação entre estes fatores de risco, fatores de proteção e estratégias de enfrentamento criou as condições para a superação dos eventos adversos e o restabelecimento do desenvolvimento saudável. Todas as participantes apresentaram resiliência diante de crises sofridas. Entendemos que a capacidade de superação de eventos adversos e de manutenção da saúde mental são elementos fundamentais para a sobrevivência da família e para a construção da cidadania de mulheres pobres. A compreensão da interação entre gênero, pobreza, saúde mental e resiliência fornece informações e recursos para o desenvolvimento de intervenções clínicas e de políticas públicas que visem o atendimento das necessidades em saúde mental de mulheres pobres

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Verusca Couto, O. (2007). Vida de mulher: gênero, pobreza, saúde mental e resiliência. PHENOMENOLOGICAL STUDIES - Revista Da Abordagem Gestáltica, 13(2), 280–281. https://doi.org/10.18065/rag.2007v13n2.13

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