Abstract
O EDUCAÇÃO E TRABALHO uma relação tão necessária quanto insuficiente desigualdades presentes na sociedade em que vivemos; de nossas especificidades culturais (sobretudo através do conhecimento do outro); das profundas desigualdades sociais existentes, concentração da terra e da renda, altas taxas de analfabetismo ao lado de violência e não-direito à saúde, ausência de valores éticos que sustentam a soli-dariedade. Educação que não estabelece relação direta com o mundo do trabalho. É muito mais ampla, possibilitan-do o desenvolvimento de políticas e ações concretas que rompam definitivamente o quadro social e econômico apontado. Não é esse o resultado da relação educação, trabalho e desenvolvimento que este trabalho analisa. Seu objetivo, portanto, é chamar a atenção para a rela-ção educação, trabalho e desenvolvimento, percorrendo caminhos na contra-corrente dos discursos e políticas observados neste momento, formulados com freqüência pelos organismos internacionais reguladores (Banco Mun-dial, FMI, e outros), pelo Estado, instituições represen-tantes de interesses patronais, instituições representantes dos interesses dos trabalhadores, empresas, imprensa e um grande número de pesquisas científicas. Parece haver uma névoa que encobre essa relação, ou melhor, não é possível enxergá-la bem porque é portadora de excesso de luminosidade e formava um dos elementos que cons-troem o consenso, no interior de conflitos e interesses antagônicos. Ou, como afirma Tanguy, essa relação apa-rece como uma "ideologia conservadora de nosso tem-LILIANA ROLFSEN PETRILLI SEGNINI objetivo deste trabalho é indagar se a relação di-reta, com ou sem pálidas mediações, que tem sido estabelecida entre educação, trabalho e desen-volvimento, tão apregoada nos últimos tempos, não se constitui muito mais de um processo social de legitimação das mudanças no mercado de trabalho, via desemprego e precariedade social, do que uma real e concreta exigên-cia dos processos de produção de bens e serviços. Num país de 157 milhões de habitantes, onde a taxa de analfa-betismo atinge 20,1% da população de 15 anos ou mais (Fundação IBGE, Informe estatístico de 1996), é neces-sário ter cautela e restringir a argumentação para ela não correr o risco de ser irresponsável ou interpretada de for-ma equivocada. Nesse sentido, é bom salientar que este trabalho não se refere à educação compreendida como um fim em si mesma, educação-processo, que nos permite tomar cons-ciência de nós mesmos, de nossa trajetória histórica en-quanto indivíduos, nação ou mundo; das contradições e Cabe acrescentar que, mesmo independentemente desse ideal de cultura, a simples alfabetização em massa não constitui talvez um benefício sem par. Desacompanhada de outros elementos fundamentais da educação, que a completem, é comparável, em certos casos, a uma arma de fogo posta na mão de um cego. Holanda, 1995:166 Resumo: Este artigo estabelece relação entre educação, trabalho e desenvolvimento. Para tanto, são construídos argumentos na contra-corrente dos discursos e políticas observadas neste momento, formulados com freqüên-cia pelos organismos internacionais reguladores, pelo Estado e outras instituições. Palavras-chave: educação e trabalho; educação no Brasil; mercado de trabalho.
Cite
CITATION STYLE
SEGNINI, L. R. P. (2000). Educação e trabalho: uma relação tão necessária quanto insuficiente. São Paulo Em Perspectiva, 14(2), 72–81. https://doi.org/10.1590/s0102-88392000000200011
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.