Abstract
No Brasil, um novo tipo de edifício comercial que se destaca por suas grandes dimensões, paralelo à “simplicidade” arquitetônica, chamado “camelódromo”, tem se inserido de modo sistemático nas paisagens urbanas. Mas a significação de sua presença não se resume a isso. Destinado a reunir os camelôs que ocupavam, em geral, as ruas e praças centrais das cidades, o edifício, por vezes denominado popular ou “paraguaiódromo”, apresenta-se como uma espécie de shopping solução adotada pelas administrações municipais para o longo e infindável conflito entre os donos dos estabelecimentos comerciais (mas não somente eles) das áreas ocupadas pelos camelôs e o próprio grupo, cada vez maior, dos juridicamente classificados como comerciantes “informais”. O camelódromo, mesmo quando deslocado para regiões menos valorizadas da cidade, equivalente, em outros termos, aos shopping centers legais, produz-se como espaço costumeiro de venda de mercadorias, mas, principalmente, como lugar de contato com uma multiplicidade de fluxos (econômicos e culturais, sobretudo) os quais extrapolam a cidade, a região e o país, ao alcance das populações mais pobres, chamados aqui de fluxos globais subalternos. Este texto pretende refletir (e avaliar) sobre a categoria da informalidade no espaço urbano, a partir do fenômeno dos camelódromos, dos fluxos que eles abrigam e do lugar o qual ocupam na produção das cidades. Palavras-chave
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Brandão, L. (2009). O" camelódromo", a cidade e os fluxos globais subalternos. Pós. Revista Do Programa de Pós-Graduação Em Arquitetura e Urbanismo Da FAUUSP, 0(25), 232. https://doi.org/10.11606/issn.2317-2762.v0i25p232-251
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