Abstract
A gravidez decorrente de violência sexual traz uma série de com- plexos impactos sobre a maternidade. Neste estudo, investigou-se uma mu- lher vítima de violência sexual com um fi lho recém-nascido, com o objetivo de identifi car os principais impactos psicológicos no desenvolvimento da re- lação mãe/bebê nessa situação adversa. A participante, de 25 anos, era aten- dida em um programa voltado às vítimas de violência em hospital público de centro urbano. A pesquisa de natureza qualitativa teve como instrumento a entrevista com roteiro semiestruturado e a análise das informações foi re- alizada adotando-se como referencial teórico o modelo bioecológico de Urie Bronfenbrenner. Os resultados revelaram um sistema familiar com aspectos disfuncionais e a presença de atos de violência na dinâmica transgeracio- nal. Embora tenha sido constatado esforço pessoal no estabelecimento da relação mãe e fi lho, a rede de apoio permaneceu frágil. Foram identifi cados sentimentos ambivalentes com relação ao agressor e uma necessidade de investir na redução de sintomas sugestivos do Transtorno do Estresse Pós- Traumático, representados por sentimentos persecutórios enfrentados pela vítima. Há, entretanto, projetos defi nidos de maternidade e atitudes da mãe que tornam clara sua trajetória de resiliência, ainda que embrionária. São re- conhecidas as limitações do estudo e indicados estudos futuros que possam aprofundar o tema e abordar estratégias de intervenção psicológica junto a esse público
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Lordello, S. R., & Costa, L. F. (2014). Gestação decorrente de violência sexual: um estudo de caso à luz do modelo bioecológico. Contextos Clínicos, 7(1). https://doi.org/10.4013/ctc.2014.71.09
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