Abstract
Introdução: Os trabalhadores dos Serviços de Nutrição Hospitalar são submetidos às exigências físicas, cognitivas e psíquicas que levam a distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. O objetivo deste estudo foi implantar ações de melhoria nas situações de trabalho de um serviço de nutrição hospitalar e avaliar a percepção dos trabalhadores e as repercussões sobre os sintomas osteomusculares. Método: Esta pesquisa foi desenvolvida em um hospital público especializado em cardiologia, localizado em São Paulo, Brasil, após aprovação pelo comitê de ética da instituição. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários e da análise ergonômica do trabalho. Os questionários continham dados sócio-demográficos, história ocupacional, situação de trabalho atual, sintomas osteomusculares e satisfação no trabalho. Do total de 130 trabalhadores, 115 participaram voluntariamente. A análise ergonômica do trabalho foi efetuada de acordo com Guérin et al (2001), sendo realizadas entrevistas, medições do ambiente da cozinha e análises biomecânicas. A partir dos resultados foram implantadas ações de intervenção baseadas na ergonomia participativa durante um ano. Após esta fase, 89 (77%) trabalhadores responderam novamente ao questionário, sendo incluídas perguntas sobre a percepção das modificações. A análise dos dados incluiu testes estatísticos para verificar se houve mudança da prevalência de sintomas antes e após as intervenções, com nível de significância de 5%, por meio dos Programas SPSS 13.0 e Excel 2003. Além disso, foram analisados os dados de percepção dos trabalhadores e dos especialistas em ergonomia sobre o impacto das melhorias na saúde e no processo de trabalho. Resultados: A população constitui-se, em sua maioria, por mulheres, na faixa etária de 25 a 34 anos, com grau médio de escolaridade, casadas, com filhos, e que ocupavam o cargo de atendente de nutrição. A maioria tinha de 5 a 10 anos de trabalho no hospital e jornada de 40 horas semanais. Os principais problemas observados foram: espaço físico reduzido, equipamentos e materiais de trabalho inadequados, absenteísmo e déficit de pessoal, volume excessivo de trabalho com elevado esforço mental, alta prevalência de sintomas osteomusculares, principalmente nos membros inferiores e ombros. Após as intervenções realizadas, houve melhoria na situação de trabalho com redução nos sintomas osteomusculares e os trabalhadores perceberam as seguintes mudanças nas situações de trabalho: melhoria na iluminação e no controle do ar condicionado, aquisição de batedeira de tamanho médio, conserto de equipamentos, substituição dos pratos de vidro por descartáveis, aquisição de cadeiras, introdução de pausas durante a jornada de trabalho, ginástica laboral e treinamento em liderança para as chefias. Neste período houve ampliação no número de leitos do hospital com conseqüente aumento no volume de trabalho e diminuição da satisfação no trabalho associados à crise financeira da instituição com suspensão de contratações e da compra de materiais e equipamentos. Conclusões: As intervenções repercutiram em melhorias, principalmente quanto ao ambiente e equipamentos, e na redução dos sintomas osteomusculares nos membros inferiores, ombros, pescoço/região cervical, antebraço e região lombar, apesar desta redução não ter sido estatisticamente significativa.
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Isosaki, M. (2008). Intervenção nas situações de trabalho em um Serviço de Nutrição Hospitalar de São Paulo e repercussões nos sintomas osteomusculares. Saúde, Ética & Justiça, 13(2), 106. https://doi.org/10.11606/issn.2317-2770.v13i2p106-108
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