Abstract
Neste artigo, articulamos a análise de um conjunto de falas públicas produzidas pelo Presidente da República Jair Bolsonaro (JB) em diferentes contextos ao longo do ano de 2020: (i) o exercício reiterado da violência verbal, atribuída a JB, no contexto da pandemia de Covid-19; (ii) a construção de um modelamento sociocognitivo e discursivo para esse evento. Analisamos também práticas linguísticas reflexivas e críticas de diversos agentes sociais em relação à categorização do uso de máscara de proteção facial como “coisa de viado”. A metodologia de análise é de natureza qualitativa, envolvendo pressupostos teórico-metodológicos dos estudos da cognição social e dos estudos do texto e do discurso. As análises revelaram que o modelamento sociocognitivo e discursivo da pandemia da Covid-19, por JB construído, configurou o novo - em termos de práticas e cenários - em algo já dominado, superado; esse modelamento, junto com oficialização e a legitimação da violência verbal em relação a diversos agentes sociais, auxiliou na normalização dos efeitos letais da pandemia. A reflexividade linguística operada por setores da sociedade brasileira possibilitou novos modelamentos de certas práticas sociais relacionadas ao enfrentamento da pandemia de Covid-19 produzindo crítica e realinhamento sociais em larga escala. Palavras-chave: Pandemia de Covid-19; Violência Verbal; Reflexividade.
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Bentes, A. C., & Morato, E. M. (2021). Expressões de violência verbal e reflexividade face ao modelamento sociocognitivo e discursivo da pandemia de Covid-19. Calidoscópio, 19(1), 18–31. https://doi.org/10.4013/cld.2021.191.02
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