Discussão dos processos de construção do complexo granítico São Sepé, RS: feições geológicas e petrográficas

  • GASTAL M
  • FERREIRA F
N/ACitations
Citations of this article
8Readers
Mendeley users who have this article in their library.

Abstract

A construção do complexo granítico São Sepé (CGSS) é discutida a partir de informações de campo, geológicas e estruturais, complementadas com a avaliação dos sistemas tectônicos regionais integrando sensores remotos (MDE-SRTM e imagem ASTER) e mapas aeromagnetométricos, e com a investigação detalhada de texturas e estruturas. O CGSS, localizado no oeste do Escudo Sul-riograndense (Bloco São Gabriel), representa os níveis epizonais (250-160 MPa) de uma coluna vertical de magma-mush com atividade moderada, controlada por zonas de falha pré-existentes N30-35°E e N55-60°W, cuja atividade foi vinculada aos eventos pós-colisionais da Orogênese Dom Feliciano (640-620 Ma). Sua formação ocorreu no final do Neoproterozóico (570-560 Ma), durante evento tectônico transtensivo ao longo de zonas de falha N15-20°E, responsável pelo soerguimento regional e expressivo magmatismo ácido, que é reflexo de orogenias mais jovens ocorridas a norte. É um pluton composto de dimensão moderada (473 km²), consistindo de monzogranitos centrais e sienogranitos na borda, que exibem grande variedade de texturas. A expansão do sistema magmático com acúmulo de voláteis no final de sua formação, como registrado pela cúpula granítica e ampla margem resfriada félsica, teria promovido a reativação do sistema de falhas NW-SE. Isto permite inferir o papel, mesmo reduzido, de mecanismos de alojamento via o soerguimento do teto.  De acordo com o modelo proposto, a construção do CGSS decorre de episódios progressivos e cíclicos de recarga com magma máfico na base de uma soleira sienogranítica precursora, o que é registrado por feições diversificadas de hibridismo nos monzogranitos. Isto acarretou a estratificação do magma residente, que inicia a cristalizar separadamente: monzogranitos hibridizados na base, e sienogranitos a partir de líquidos magmáticos residuais coletados no topo, cuja cristalização foi sucessivamente postergada com a concentração de voláteis (H2 O e F). Episódios subsequentes de recarga máfica, em uma intrusão mais fria e parcialmente solidificada, promoveram o reaquecimento e a consequente maturidade textural e erosão termal das fácies cristalizadas; a remobilização de mushes cristalinos, com reintrusão e co-mingling de magmas hibridizados; e o maior subresfriamento termal no polo máfico. Tais feições apontam para o acúmulo de magmas sienograníticos altamente móveis, que sustentaram uma das câmaras magmáticas alimentadoras do vulcanismo coevo (Formação Acampamento Velho).

Cite

CITATION STYLE

APA

GASTAL, M. D. C., & FERREIRA, F. J. F. (2013). Discussão dos processos de construção do complexo granítico São Sepé, RS: feições geológicas e petrográficas. Pesquisas Em Geociências, 40(3), 233. https://doi.org/10.22456/1807-9806.43440

Register to see more suggestions

Mendeley helps you to discover research relevant for your work.

Already have an account?

Save time finding and organizing research with Mendeley

Sign up for free